O bastonário da Ordem dos Médicos apelou ontem à contratação urgente de mais cinco especialistas para o Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital de Braga, sublinhando que os que ali trabalham “quase não têm tempo para respirar”.

“A situação é crítica (…). Os médicos têm uma pressão diária muito intensa, quase que não têm tempo para respirar. Já todos, ou a grande parte, fizeram mais horas extraordinárias do que as legalmente previstas”, referiu.

Segundo Miguel Guimarães, alguns médicos daquele serviço já apresentaram à Ordem declarações de isenção de responsabilidade para o caso de acontecerem situações “mais complicadas”. O Hospital de Braga já reagiu, em comunicado, dizendo que “estão asseguradas as condições de segurança clínica na prestação de cuidados de saúde à população”.

Refere ainda que desde o início deste ano a administração do hospital autorizou a contratação de mais três médicos para aquele serviço, mas “a falta de oferta de especialistas de Ginecologia/Obstetrícia disponíveis no mercado tem dificultado as contratações”.

Estas contratações, acrescenta, pretendem fazer face ao aumento de partos registados desde 2017 e responder a outras áreas de atividade daquele serviço.

O bastonário da Ordem dos Médicos admitiu que não há registo de situações graves naquele serviço do Hospital de Braga decorrente da falta de médicos, mas enfatizou que é preciso reforçar o número de especialistas para continuar a “oferecer segurança e confiança” aos utentes.

Aludiu, designadamente, ao Serviço de Urgência do bloco de partos, que conta com três médicos durante a noite quando, “no mínimo, deveria ter quatro”. Miguel Guimarães disse que vai dar conhecimento da situação ao ministro da Saúde e pedir-lhe que a olhe “com olhos diferentes”.

O Serviço de Ginecologia/Obstetrícia conta atualmente com 32 médicos especialistas e, segundo a nota hoje divulgada, “vem, ao longo dos anos, mantendo uma contratação regular”. Nos últimos sete anos, a equipa foi reforçada em 11 médicos.

LUSA

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