Em 2016, depois um parto complicado, uma mulher grávida que deu à luz na Maternidade Alfredo da Costa (MAC), em Lisboa, foi mandada para casa com uma compressa esquecida na vagina, que só removida nove dias depois. A Entidade Reguladora da Saúde emitiu uma instrução ao Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC), que integra a MAC, de modo a que este garanta o cumprimento das regras, apesar de o CHLC até já ter implementado uma check-list para verificação dos procedimentos no parto vaginal.

Na queixa apresentada pela mãe da paciente, depois do parto, refere-se que esta “não conseguia andar, não conseguia de maneira nenhuma sentar-se e aparentemente não existia razão para que tal acontecesse de forma tão intensa”. A compressa tinha sido colocada na sequência de uma hemorragia. À medida que os dias passavam, surgiam também outros sintomas, como falta de força, suores, quebras de tensão, aperto no peito e nas costas. Foi nessa altura que a mulher, residente em Sines, foi encaminhada pelo INEM para o Hospital de Litoral Alentejo, onde foi descoberto o motivo das dores.

Na resposta à queixa, o hospital admite o esquecimento, pediu desculpa mas justificou-se de duas formas: dizendo que se tratava de uma compressa pequena (que se confunde facilmente com um coágulo quando embebida em sangue) e lembrando que “as utentes no puerpério de parto por via vaginal não são por rotina sujeitas a avaliação ginecológica imediatamente antes da alta”. Argumentos que não foram aceites como válidos pela ERS.

 

Colonoscopia inacabada

 

Uma avaria na fonte de polipectomia – o procedimento que remove pólipos durante a colonoscopia – impediu o Centro Hospitalar de São Francisco (CHSF), uma unidade privada em Pombal, de acabar o exame a um utente em fevereiro de 2017. A ERS relembra que o exame foi totalmente comparticipado pelo Estado e critica o hospital. “Deveria a instituição remarcar novo exame ao paciente gratuito, quer para o paciente, quer para o Estado, afinal o problema foi com equipamento do São Francisco. O Estado pagou um exame que não foi totalmente concretizado”

Apesar de terem sido detetados “dois pólipos e vários micropólipos”, estes não foram removidos e o procedimento não foi reagendado pela unidade hospitalar. Contudo, o doente em causa acabou por repetir o exame no CHSF mas apenas a 24 de abril deste ano, mais de um ano depois da primeira tentativa.

 

Parto sem epidural

 

Ao investigar uma queixa que partiu da família de uma grávida que fez todo o trabalho de parto sem que lhe tinha sido administrada epidural, a ERS detetou falhas no Hospital Senhora da Oliveira, em Guimarães, no que diz respeito às escalas de anestesias. O regulador diz que, para além deste caso, recebeu mais quatro reclamações relacionadas com o mesmo problema, de doentes que viram as suas cirurgias reagendadas várias vezes por falta de anestesistas.

O hospital reconhece que tem uma carências de anestesistas e refere que “lamentavelmente, o dia 7 de fevereiro de 2016 foi um dia fora da normalidade, uma vez que, por ordem do chefe de equipa, uma das anestesiologistas de serviço foi requisitada para acompanhar um doente no pós-operatório imediato, para o hospital de Braga. A transferência e a ausência da médica anestesista decorreu entre as 22.00 e as 23.30. Neste contexto, o procedimento de colocação de cateter epidural para analgesia durante o parto ficaram suspensas temporariamente, por indisponibilidade médica”.

Mais uma vez o motivo invocado pela unidade hospitalar não foi acolhido pela ERS, uma vez que, diz o regulador, “a parturiente tem direito a ter uma analgesia epidural durante o parto”.

Saúde Online

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