Continua a aumentar a faturação da indústria farmacêutica, sendo que a tendência de crescimento deve acelerar durante os próximos anos. Só nos primeiros seis meses de 2018, as vinte maiores empresas do setor aumentaram a faturação em mais de 11 milhões de euros, o que representa um aumento de vendas na ordem dos 5,2%. Contudo, esta evolução é impulsionada exclusivamente pelos laboratórios suíços e americanos, principalmente pelos três ‘gigantes’ – Roche, Pfizer e Novartis – ao invés dos laboratórios de países da União Europeia, cujas vendas estão em queda.

A faturação da indústria tem vindo a bater recordes todos os anos e em 2018 deve ser atingindo um novo máximo. No primeiro semestre deste ano, os vinte maiores laboratórios registaram, em conjunto, uma faturação de 222,86 mil milhões de euros. Este valor é superior ao PIB português em 2017, ou seja, a toda a riqueza produzida em Portugal no ano passado. A manter-se este ritmo no segundo trimestre, será facilmente ultrapassada a barreira dos 400 mil milhões de euros, atingida o ano passado. Segundo dados da consultora Iqvia, as vendas cresceram 3,5% em 2017 (menos do que os 5,2% de crescimento de janeiro a junho deste ano) e a expectativa é de aceleração do crescimento até 2021 a um ritmo entre os 6 e os 9% ao ano, atingindo, por essa altura, os 525 mil milhões de faturação.

 

 

A impulsionar fortemente as vendas está o mercado norte-americano, que está em crescimento e já representa 45% dos gastos anuais em medicamentos. Esta tendência explica a predominância cada vez maior das empresas americanos na tabela dos ‘gigantes’. Entre as 20 maiores, há dez farmacêuticas com sede nos EUA. Destas, todas, à exceção da Gilead, aumentaram as vendas no primeiro semestre, com destaque para a Jenssen, AbbVie e Celgene, que cresceram 20%, 17% e 15%, respetivamente. O crescimento da Celgene é sustentado pelo Revlimid, um fármaco para o tratamento do mieloma múltiplo (um tipo de cancro no sangue), cujas vendas dispararam. A Janssen é mesmo a empresa com maior valor em bolsa (mais de 300 mil milhões de euros), apesar de se ficar apenas pela quinto lugar no que diz respeito às vendas e ainda a alguma distância do pódio.

São, sobretudo, os medicamentos inovadores, lançados pelos grandes laboratórios, os responsáveis por este crescimento nos EUA, onde o preço dos fármacos é livre, o que faz disparar os preços de terapêuticas detidas apenas por uma farmacêutica e cujo preço de venda não é controlado pelas autoridades públicas de saúde nem pelo governo federal, ao contrário do que acontece na Europa. É por exemplo, o que aconteceu no caso da Roche, que faturou nos EUA mais 12% com as vendas do Herceptin, um medicamento à base de anticorpos monoclonais usado no tratamento do cancro da mama e do cancro gástrico (as vendas na Europa caíram 5%).

Em queda estão as empresas de países da União Europeia. Se retirarmos da equação a americana Gilead, cuja faturação recuou 21% (devido, sobretudo, à diminuição expressiva de vendas de dois fármacos usados para o combate à infeção pelo vírus da Hepatite C), as maiores quebras de faturação, ainda que ligeiras, são da francesa Sanofi (7%), da dinamarquesa Novo Nordisk (5%) e da alemã Bayer (3%). Quanto ao topo da tabela, nada mudou. A suíca Roche continua a ser o maior laboratório do mundo (cresceu 7%), seguido da americana Pfizer e da suíça Novartis, que também registaram aumentos.

O medicamento que mais faturação gerou em todo o mundo em 2017 foi o Humira, da farmacêutica AbbVie, utilizado para o tratamento de doenças inflamatórias nas articulações, coluna vertebral, intestino e pele.

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