“As pessoas que trabalharam como domésticas ou que fizeram a limpeza da casa durante 20 anos viram reduzida a função pulmonar no equivalente a fumar 20 cigarros por dia, pelo mesmo período de tempo”, afirma o autor principal do estudo, Øistein Svanes, do Departamento de Ciências Clínicas da Universidade de Bergen (UiB), na Noruega, citado em comunicado no site da instituição.

Os investigadores da UiB analisaram informação de 6235 pessoas na European Community Respiratory Health Survey (ECRHS, na signa inglesa), dos quais 53% eram mulheres. Os participantes fizeram testes da função pulmonar e preencheram três questionários ao longo dos 20 anos que foram seguidos.

No total, 85% das mulheres disseram que eram a pessoa responsável pela limpeza da casa, enquanto que 8.9% das mulheres e 1.9% dos homens afirmaram que as limpezas fazem parte da sua ocupação profissional.

O estudo utilizou duas medidas para avaliar a saúde pulmonar: a capacidade vital forçada (CVF), correspondente ao volume máximo que uma pessoa pode expirar por segundo, e o volume expiratório forçado em 1 segundo (VEP1), isto é a quantidade de ar que uma pessoa pode exalar por força num segundo.

Ao longo dos 20 anos, as mulheres que não estavam envolvidas na limpeza apresentaram um risco menor de complicações na função pulmonar, em comparação com as que usavam sprays de limpeza, entre outros produtos, que verificaram um declínio na função pulmonar muito mais rápido, especialmente as mulheres que trabalhavam como domésticas.

Contudo, tal não se verificou com os homens, em que não foi possível encontrar uma relação entre o uso dos produtos de limpeza e o declínio na função pulmonar. Os autores do estudo referem que esses resultados podem estar relacionados com o facto de o estudo abranger poucos profissionais de limpeza masculinos.

A professora Cecilie Svanes, do Departamento de Saúde Pública Global e Cuidados Primários da UiB e supervisora do estudo, considera que os sprays são o principal problema: “As pequenas partículas dos sprays podem ficar no ar durante horas depois da limpeza. Essas pequenas partículas podem entrar profundamente nos pulmões e causar infeções, bem como o envelhecimento dos pulmões”, afirma, citada em comunicado da UiB.

“Eu recomendaria o uso de um balde de água e sabão durante a limpeza. Não são precisos muitos produtos químicos para limpar. Os panos de microfibra podem ser tão eficazes”, reforça. Os autores consideram que o declínio na função pulmonar se deve à irritação que a maioria dos produtos de limpeza provocam nas membranas mucosas.

Embora estes resultados possam não surgir como uma grande surpresa dada à informação já existente sobre os químicos que compõem os produtos de limpeza, os autores reforçam que são precisos novos estudos para analisar quais os tipos de químicos e agentes de limpeza que causam maiores danos, especialmente no aumento do risco de asma.

O estudo foi publicado na plataforma da American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine a 16 de fevereiro.

SO/Mónica Silva