9 Jan, 2017

Cristina Alcântara >> 11º Congresso Português de Hipertensão: Aposta na internacionalização

Em entrevista ao SaúdeOnline, Cristina Alcântara, Presidente da Comissão Organizadora do Congresso revelou alguns dos momentos que certamente irão marcar a reunião de Vilamoura.

Serão com certeza largas centenas, os especialistas, na sua maioria de Medicina Geral e Familiar que entre os dias 9 e 12 de Fevereiro rumarão ao Algarve para participar num dos mais importantes eventos do calendário científico português: o 11º Congresso Português de Hipertensão e Risco Cardiovascular Global, uma iniciativa da Sociedade Portuguesa de Hipertensão. À semelhança de anos anteriores, a comissão organizadora do evento procurou acolher a multiplicidade de fatores que associados à HTA integram a vasta equação do Risco Cardiovascular global, abordado por um painel de especialistas de renome internacional. Em entrevista ao Nosso Jornal, Cristina Alcântara, Presidente da Comissão Organizadora do Congresso revelou alguns dos momentos que certamente irão marcar a reunião de Vilamoura.
No ano passado bateram o recorde de participações, com mais de um milhar de inscrições. Como é que está a adesão este ano?
Cristina Alcântara – Ainda é cedo. As inscrições ainda estão a decorrer, pelo que não é possível avançar com números exatos. Mas tudo aponta para uma boa adesão.

Têm, desde a primeira edição, apostado muito na internacionalização; no estabelecimento de parcerias com associações congéneres europeias e não só. Este esforço de internacionalização é para manter?CA- A SPH é afiliada, desde a sua fundação à Sociedade Europeia de Hipertensão. Tem também uma ligação próxima à sociedade Húngara de Hipertensão e à Polaca e mais recentemente à sociedade Italiana…. Para nós, enquanto sociedade, assumiu sempre particular importância estarmos ligados à Sociedade Europeia de Hipertensão (SEH). Isto porque não temos “peso” suficiente para integrarmos, por exemplo, o Board da SEH. Todavia, conseguimos colaborar nas diversas ações desenvolvidas pela SEH e pelas associações nacionais afiliadas, partilhando, por exemplo, informação relevante nesta área. Um bom exemplo é o da Hungria, que tem uma prevalência de hipertensão não controlada e de AVC semelhante à registada em Portugal. Através da partilha de experiências, foi possível por exemplo, replicar por lá a legislação adotada em Portugal que estabelece os limites máximos ao teor do sal no pão e rotulagem de alimentos pré-embalados.
A Medicina Geral e Familiar tem sido um dos universos-alvos prioritários deste Congresso. Como é que essa ligação tem continuidade na edição deste ano?
CA- O Congresso Português de Hipertensão e Risco Cardiovascular Global é aberto a todas as especialidades. Relativamente à Medicina Geral e Familiar, há que sublinhar que os cuidados primários, para além de serem a “porta de entrada” dos doentes no sistema, são também o local, por excelência, de estímulo à prevenção. E também são os colegas dos CSP que têm a seu cargo o maior número de doentes, pelo que é natural que sejam eles o nosso principal alvo em termos de conceção do programa do Congresso. São o nosso alvo principal. Este ano, à semelhança do que tem acontecido em edições anteriores, teremos uma sessão plenária organizada em conjunto com os colegas de Medicina Geral e Familiar (alguns dos quais membros da atual direção da SPH), com temas que respondem a necessidades específicas de informação dos colegas de MGF, particularmente relevantes para quem acompanha os doentes no seu dia-a-dia.
Com o mesmo espírito, haverá também lugar a uma sessão organizada em conjunto pela SPH e pela Sociedade Portuguesa de Medicina Interna.

Relativamente os cuidados primários, como é que caracterizaria a ligação destes aos cuidados secundários? Há comunicação?
CA- É muito difícil traçar um perfil global. Isto porque estas ligações estabelecem-se a nível local e como em tudo na vida, há locais onde as coisas funcionam maravilhosamente, outros em que a ligação é “assim-assim” e outros ainda onde vai ser necessário investir para melhorar a ligação entre os dois níveis de cuidados. É um esforço que deve continuar a ser feito nos dois sentidos, na convicção de que necessitamos muito da colaboração uns dos outros. Diga-se também que a evolução tecnológica, que trouxe novas formas de comunicação bem como a informatização dos processos, também vieram facilitar a troca de informação entre os dois níveis de cuidados, o que é essencial, para bem dos doentes.

Regressando ao programa, este ano temos uma novidade absoluta nos Congressos da SPH
CA- É verdade. Este ano vamos ter, pela primeira vez, cursos pré-congresso. Até aqui tínhamos organizado apenas cursos pós-graduados. Este ano decidimos avançar com cursos pré-congresso em áreas relevantes, como a Diabetes e HTA, Hipocoagulação e Dislipidemia, particularmente pensados para médicos internos. É claro que os cursos de Pós-Graduação em Hipertensão Arterial e Reico Cardiovascular Global continuam a ocupar, como sempre tem acontecido, um lugar de destaque no nosso Congresso. São mesmo um dos pontos altos dos nossos congressos. São, uma forma de incentivar, alertar e também formar os médicos mais jovens para esta epidemia e para as suas consequências, que constituem a principal causa de morte em Portugal. Este ano, como sempre, teremos quatro sessões, cujos temas refletem as principais preocupações na atualidade da abordagem do doente hipertenso.

Do programa científico do Congresso sobressai, também, o lugar destacado que ocupa a Lusofonia.
CA- Há já alguns anos que temos vindo a inscrever painéis com especialistas de países lusófonos no programa científico do Congresso. O objetivo que nos tem movido é o da promoção da cooperação entre os países de língua oficial portuguesa, ainda que com culturas e problemas de saúde diferentes, mas onde a hipertensão surge como problema de saúde pública comum, que é necessário combater. E também porque sabemos que o acesso a formação é, nesses países, mais difícil do que entre nós.

Daí o Congresso ir ser transmitido em direto para a Comunidade Lusófona.
CA- É verdade! Não sendo possível a deslocação de todos os interessados a Portugal, decidimos transmitir, por streaming, as sessões para todos os países de língua portuguesa. Desta forma, todos os colegas desses países, que o desejarem, poderão aceder às muitas sessões de atualização inscritas no programa científico.

A conferência de abertura será novamente proferida pelo Professor Agabiti-Rosei…É para nós uma honra podermos CA- contar, uma vez mais, com a participação do professor Enrico Agabiti-Rosei, que é o atual presidente da Sociedade Europeia de Hipertensão e que este ano nos irá falar da busca pela optimização dos alvos terapêuticos para a pressão arterial e que nos irá apresentar os resultados de alguns ensaios clínicos nessa área. Já a conferência de encerramento será uma vez mais, também, proferida pelo Professor Alberto Zanchetti, um especialista de renome internacional, que nos irá falar dos Benefícios e custos do tratamento anti-hipertensivo.

Sobressai no programa a conferência a sessão Investigação clinica em HTA – “A Questão do sal nas crianças”, a cargo do Professor José Cotter. Pese a legislação entretanto crida de controlo do seu teor nos alimentos, o sal, continua a constituir um problema?
CA- Continua. E grave. Uma coisa é a Lei, cuja aplicação podemos controlar ao nível do comércio dos produtos. Outra, completamente diferente, é o que se passa dentro de casa das pessoas; os seus hábitos. E aqui não há lei que consiga controlar maus hábitos. Há ainda muito trabalho a realizar a este nível.

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