30 Nov, 2016

VIH/SIDA pode deixar de ser epidemia global em 2030… Se objetivos da OMS forem cumpridos

A Estónia, com 22,1 infeções por 100 mil habitantes lidera o “ranking” europeu no que toca à taxa de infeções, logo seguida pela Letónia (17,3) e pelo Luxemburgo (12,6). Portugal apresentava, em 2014, uma taxa de 8,8 casos por 100 mil habitantes

A infeção por VIH, atualmente considerada como uma doença crónica, pode perder o estatuto de pandemia global dentro de pouco mais de uma década.

Isto, se forem cumpridos os três grandes objetivos da OMS para 2020… E os definidos para 2030

Os primeiros integram a designada estretégia 90% x 90% x 90%, que se traduz em conseguir que 90% da população infetada esteja diagnosticada; que 90% dos casos diagnostivados estejam a fazer tratamento adequado e que destes, 90% apresentem carga viral (virémia) indetectável, o que torna muito baixa a possibilidade de transmitir a infeção.

Depois de atingidos estes objetivos em 2020, a UNAIDS, agência da OMS reponsável pela área da infeção por VIH, propões três novas metas, com incidindo sobre os mesmo indicadores, agora de forma mais “apertada”. A meta passa a ser: 95% x 95% x 95%.

Portugal terá já cumprido o primeiro dos três objetivos traçados pela UNAIDS para o VIH, que se traduz em ter 90% das pessoas infetadas pelo VIH diagnosticadas. De facto, um estudo recente, apresentado por António Diniz, antigo coordenador do Programa Nacional para o VIH/SIDA  em setembro, mostra que menos de cinco mil pessoas em Portugal estarão infetadas com VIH sem o saberem, o que representa menos de 10% dos infetados.

Os novos dados apontam para menos de 45 mil pessoas infetadas com VIH em Portugal, um número que é menos elevado do que as 65 mil a 70 mil pessoas que a própria UNAIDS apontava para o país.

Assim, a fração de casos não diagnosticados em Portugal estará abaixo dos 10%, sendo bem menor do que os 25 a 30% estimados inicialmente.

Para António Diniz, estes dados vieram mostrar que pode ser possível chegar a 2030 apenas com casos isolados de VIH/sida, mas é imperioso que se atinjam as metas de 2020.

Falar em erradicação parece mais difícil, reconhece o especialista, para quem sem uma vacina será complicado atingir um completo esaparecimento da doença à escala mundial.

Os objetivos das Nações Unidas passam por chegar a 2030 com a situação de pandemia atualmente existente reduzida a casos isolados, deixando assim a doença de constituir uma ameaça à saúde mundial.

Em vésperas do Dia Mundial de Luta Contra a Sida, que se assinala na próxima quinta-feira, António Diniz, , lembra que atualmente a infeção por VIH é já considerada uma doença crónica.

“Uma pessoa que aos 20 anos é diagnosticada com VIH e que faça os tratamentos e controlos virológicos adequados tem uma expetativa média de vida de mais 45 anos”, exemplifica o especialista.

Também o presidente da associação Abraço recorda que, em 30 anos, o panorama da infeção mudou completamente.

“Passámos de uma questão de mortalidade e de pouca esperança de vida, para outra questão, na qual estamos neste momento a trabalhar, que é como as pessoas envelhecem com o VIH e como podemos garantir melhor qualidade de vida numa idade mais avançada, tendo em conta que são doentes que fazem uma medicação crónica e que traz consigo algumas complicações inerentes ao funcionamento sistémico do organismo”, refere o presidente da Abraço, Gonçalo Lobo.

OCDE: cenário otimista, mas ainda longe das metas
De acordo com o último relatório da OCDE, apresentado no passado dia 23, a infeção por VIH mantém-se como um problema “major” de Saúde Pública na Europa, com mais de 500 mil pessoas vivendo com a doença em 2014, número que tem vindo a aumentar. Em 2014 foram diagnosticado cerca de 30 mil novos casos de infeção em países europeus.

A Estónia, com 22,1 infeções por 100 mil habitantes lidera o “ranking” europeu no que toca à taxa de infeções, logo seguida pela Letónia (17,3) e pelo Luxemburgo (12,6). Portugal apresentava, em 2014, uma taxa de 8,8 casos por 100 mil habitantes.

De acordo com a OCDE, desde 2000, a principal via de transmissão do VIH, na Estónia, tem sido a partilha de agulhas contaminadas entre os consumidores de droga, a par com a transmissão por via sexual.

As taxas de infeção mais baixas foram registadas na Eslováquia, República Checa e a Eslovénia.

No total dos países que integram a União Europeia (EU), foram diagnosticados em 2014, em média, cerca de seis novos casos de infeção pelo VIH por 100 mil habitantes.

Mais de três quartos das infeções referem-se a homens que mantiveram relações sexuais não protegidas com outros homens (42 %), seguindo-se a transmissão por contato heterossexual (33%). A partilha de seringas contaminadas entre consumidores de drogas foi outra das formas de transmissão mais frequentes em alguns países.

Ainda de acordo com o relatório da OCDE “Health in a Glance o número e a taxa de novos casos de infeção por VIH diagnosticados não diminuíram significativamente desde 2008 na EU, a não ser em Portugal e na Estónia, ainda que nestes países a taxa de infeção permaneçam acima da média da UE. Por outro lado, as taxas de infeção pelo HIV aumentaram, pelo menos ligeiramente, desde 2008, em alguns países, como a Letónia e Malta

 

OCDE/LUSA/UNAIDS/SO

 

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