Venezuela regista aumento significativo de mortalidade infantil e de morte de mulheres no parto

Após três anos sem dados oficiais, o Ministério da Saúde da Venezuela revela que a mortalidade infantil aumentou 30,12%, em 2016, e que o índice de morte de mulheres no parto também cresceu de forma exponencial, para os 65%

A crise humanitária que vive atualmente a Venezuela é vista como o reflexo da falta de habilidade do governo para gerir os problemas económicos que assola o país há vários anos.

O maior número de óbitos infantil foi registado nos estados de Zulia (noroeste), com 1.409 casos, e em Carabobo e Aragua (ambos no centro), com 928 e 888, respetivamente. Seguiram-se Bolívar (sudeste) com 802, e Distrito Capital (centro), com 735, de acordo com os mesmos dados.

Entre as principais causas de morte figura a sépsis neonatal, pneumonia, a doença das membranas hialinas e o nascimento prematuro.

O relatório epidemiológico, divulgado recentemente, contabilizou 756 casos de mortalidade materna, o que traduz um aumento significativo de 65,79% em relação ao ano anterior.

O Ministério da Saúde da Venezuela informou ainda da ocorrência de 324 casos de difteria e de 59.348 casos de Zika no ano passado.

O documento registou 29.263 casos de dengue em 2016, a esmagadora maioria dos quais “sem sinais de alarme”, bem como de 240.613 de malária, cujo número subiu 76,4% comparativamente a 2015.

A Sociedade Venezuelana de Infetologia (SVI) tem vindo a exigir ao Governo que informe os médicos e a população em geral sobre os quadros infeciosos que existem no país, especialmente durante os últimos dois anos devido à deterioração do sistema de saúde venezuelano.

De acordo com a BBC, um grande número de médicos abandonou o país e segundo uma associação de empresas farmacêuticas, os estoques de 85% dos medicamentos estão baixos.

Atualmente, muitos venezuelanos cruzam a fronteira com a Colômbia ou o Brasil para comprar remédios e buscar tratamento.

A Venezuela está há mais de um mês paralisada por violentos protestos contra o governo que ocorrem quase diariamente nas principais cidades do país.

BBC/LUSA/SO/CS

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