10 Set, 2020

Vacina sintética com bons resultados será testada no Brasil

Vacina desenvolvida pela farmacêutica Covaxx, com bons resultados iniciais, será testada em cerca de 3.000 voluntários.

Vacina sintética com bons resultados será testada no Brasil

Trata-se da UB-612, uma possível vacina contra o novo coronavírus desenvolvida pela Covaxx, uma divisão da norte-americana United Biomedical, que teve resultados bem-sucedidos na fase um dos testes com voluntários em Taiwan, informaram porta-vozes da Dasa e da Covaxx numa conferência de imprensa virtual.

Esta será a sexta vacina contra o coronavírus que será testada massivamente em voluntários no Brasil, país que é o segundo no mundo com mais mortes pela doença, com mais de 127 mil mortes, e o terceiro com mais casos de infeção (quase 4,2 milhões).

Ao contrário da maioria das possíveis vacinas anunciadas até agora contra a covid-19, a Covaxx não é fruto de tecnologia genética, mas sim sintética, ou seja, é fabricada em laboratório a partir de um péptido (biomoléculas composta por dois ou mais aminoácidos que se ligam) que imita a estrutura proteica do coronavírus, pelo que oferecerá maior segurança.

“Por ser uma vacina sintética, ela tem alto potencial de segurança. Além disso, os testes feitos até agora mostraram que a vacina também tem um alto potencial de resposta imunológica”, explicou o diretor médico da Dasa, Gustavo Campana.

“Estamos bastante otimistas porque os resultados obtidos na fase pré-clínica mostraram que essa vacina não só tem uma importante resposta imunológica, mas também uma alta capacidade de estimular a produção de anticorpos”, acrescentou.

 

Primeira fase dos ensaios clínicos ainda por concluir

 

Segundo porta-vozes da Covaxx, o péptido usado na vacina estimula o sistema imunológico a gerar anticorpos capazes de neutralizar o vírus.

Os responsáveis pela vacina estão a concluir a fase um dos ensaios clínicos com 60 voluntários em Taiwan, com a publicação dos resultados prevista para novembro, e pretendem realizar as fases dois e três no Brasil a partir deste ano e com pelo menos 3.000 voluntários.

“Uma vez divulgados os resultados da primeira fase, submeteremos o protocolo para aprovação da Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária brasileira] para iniciar o recrutamento de voluntários ainda em 2020 e iniciar os testes, que terão duração mínima de 12 meses”, explicou Campana.

Os testes no Brasil servirão para avaliar não só a segurança da vacina, mas também o seu poder imunológico (capacidade de induzir a produção de anticorpos) e a sua eficácia (capacidade de proteção contra o vírus).

Os estudos com a vacina sintética no Brasil serão financiados por contribuições do grupo Dasa e do grupo Mafra Hospitalar, além de patrocinadores privados.

Essas contribuições darão à Dasa o direito de receber 10 milhões de doses da vacina quando esta for aprovada para distribuição nas redes privadas, além de 15 milhões de doses que seriam distribuídas nas redes públicas.

O cofundador e vice-presidente da Covaxx, Peter Diamondis, disse que outra vantagem da nova vacina é que, por ser um produto sintético, pode ser produzida em larga escala e atender grande parte da procura mundial.

SO/LUSA

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