UTAD e ULS de Trás-os-Montes formalizam protocolo para curso de Medicina
Neste arranque do curso de Medicina, tanto a UTAD como a ULS tiveram de encontrar verbas próprias para investir, antes da assinatura do contrato-programa com o Governo, que só vai acontecer depois de eleito o novo reitor da UTAD.

A Universidade e a Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro formalizaram, em Vila Real, um protocolo de colaboração com vista ao arranque do curso de Medicina em setembro, que abre com 40 vagas. “É um passo muito importante e determinante para o Mestrado Integrado em Medicina, na medida em que estamos a formalizar uma relação, uma cooperação com a Unidade Local de Saúde, parceiro chave para o funcionamento do curso”, afirmou o reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Jorge Ventura.
As duas instituições, sediadas em Vila Real, assinaram hoje o protocolo de colaboração institucional e cooperação académico clínica que define as competências da UTAD e da ULSTMAD. “Hoje foi o culminar de um trabalho que tem sido feito até agora e que é muito importante para nós, que é a oficialização desta parceria entre a UTAD e a ULS. É neste protocolo que se encontram as cláusulas de definição desta ligação e desta cooperação entre as duas entidades”, salientou Sara Mota, presidente do concelho de Administração da ULSTMAD.
A responsável explicou que o protocolo, de 34 páginas, “abrange todo o funcionamento do curso”, como o vínculo do corpo clínico e a forma como ele vai trabalhar. Em novembro foi anunciada a aprovação condicional do curso de Medicina por parte da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES). A acreditação condicional é válida por dois anos.
A vice-reitora para a Educação e Qualidade, Carla Amaral, lembrou que foram impostas oito condições que a UTAD tem de cumprir e frisou que, hoje, com a assinatura do protocolo, foram cumpridas duas. “Nós temos trabalhado sobre todas elas durante o tempo desde que sabemos que foi aprovado. Ficámos muito satisfeitos porque temos duas a que estamos a fazer o check no seu cumprimento. Tínhamos dois anos para mostrar a evidência de que elas estavam cumpridas e nós estamos a fazê-lo ainda antes de o curso começar”, salientou.
Foi oficializada parceria entre as duas instituições mas, Carla Amaral, destacou também o envolvimento dos líderes clínicos do hospital e das unidades de saúde familiar no planeamento educativo. “Acho que estamos a portar-nos bastante bem no caminho de fazer aqui o cumprimento de todas as condições que nos foram elencadas”, salientou.
O médico Pinto de Sousa é o diretor do novo curso. “É um desafio, mas é estimulante. Há duas coisas que eu pessoalmente gosto de fazer, um é tratar doentes porque sou médico e outro é ensinar e ensinar médicos a tratar melhor os doentes”, afirmou aos jornalistas.
Sobre o curso, cujo processo acompanhou desde o início, destacou que ele pressupõe “uma maior proximidade dos estudantes com a população local” e um “envolvimento relativamente precoce da clínica no início do curso”, salientando que os “alunos vão ter um contacto com a prática clínica muito cedo. “Vamos dar uma visão completamente diferente de muitos outros cursos clássicos”, apontou
Depois, como é um curso que vai ter um número reduzido de alunos, vai permitir “um melhor rácio aluno-docente”. “Vamos ter, por exemplo, tutores que vão acompanhar cada aluno ao longo dos seis anos, o que é uma coisa relativamente nova em termos de ensino da medicina”, apontou, realçando que, quer a UTAD, quer a ULS, estão “motivadas e concertadas num objetivo comum”.
Neste arranque do curso, tanto a UTAD como a ULS tiveram de encontrar verbas próprias para investir, antes da assinatura do contrato-programa com o Governo, que só vai acontecer depois de eleito o novo reitor da UTAD, o que irá acontecer hoje. Carla Amaral concretizou que, da parte da UTAD, o investimento aplicado diretamente no curso ultrapassa os dois milhões de euros, e da ULSTMAD, um milhão de euros.
SO/LUSA
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