IPO do Porto adjudica equipamentos de 53 milhões para futuro Centro Nacional de Protonterapia
O IPO do Porto concluiu a adjudicação de dois sistemas de protonterapia, num investimento de 53 milhões de euros, financiado pela Fundação Amancio Ortega. O futuro Centro Nacional de Protonterapia poderá entrar em funcionamento entre o final de 2029 e o início de 2030.

O Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto concluiu a adjudicação de dois sistemas de protonterapia, no valor de 53 milhões de euros, dando mais um passo para a criação do futuro Centro Nacional de Protonterapia, que poderá entrar em funcionamento entre o final de 2029 e o início de 2030.
Em declarações à Lusa, o presidente do IPO do Porto, Júlio Oliveira, revelou que a adjudicação já recebeu o visto do Tribunal de Contas, considerando tratar-se de um marco importante para a concretização daquele que será o primeiro centro português dedicado à terapia do cancro com protões.
O investimento é financiado por uma doação de cerca de 80 milhões de euros da Fundação Amancio Ortega, anunciada em outubro de 2024, destinada à aquisição dos equipamentos necessários para este projeto.
Segundo Júlio Oliveira, a criação do centro representa muito mais do que a aquisição de tecnologia, traduzindo-se na concretização de um programa nacional que permitirá ao Serviço Nacional de Saúde disponibilizar uma técnica inovadora e de elevada precisão para o tratamento do cancro.
O responsável destacou ainda o impacto que a protonterapia poderá ter no tratamento oncológico pediátrico. Explicou que o número de indicações para este tipo de tratamento tem vindo a aumentar nas crianças, uma vez que a técnica permite preservar os tecidos saudáveis que rodeiam o tumor, reduzindo os efeitos secundários numa população cuja taxa de sobrevivência ultrapassa os 80%.
Ao contrário da cirurgia, que remove o tumor, ou da quimioterapia, que atua de forma sistémica, a radioterapia utiliza radiação para destruir as células tumorais. Na radioterapia convencional, baseada em fotões ou raios X, parte da radiação atravessa inevitavelmente tecidos saudáveis antes e depois de atingir o tumor.
Na protonterapia, pelo contrário, os protões libertam a maior parte da energia precisamente na zona do tumor, permitindo poupar de forma mais eficaz os tecidos circundantes. Esta característica traduz-se numa menor toxicidade, menos efeitos secundários e melhor qualidade de vida durante e após o tratamento.
Os dois equipamentos agora adjudicados correspondem à geração mais avançada desta tecnologia e serão instalados no futuro Centro Nacional de Protonterapia do IPO do Porto. A técnica está particularmente indicada para tumores pediátricos, tumores da base do crânio, da cabeça e pescoço e outros casos em que a proximidade de estruturas críticas exige uma elevada precisão na administração da dose.
Atualmente, os doentes portugueses que necessitam deste tratamento têm de ser encaminhados para centros no estrangeiro.
Júlio Oliveira sublinhou que o futuro centro terá uma vocação nacional e servirá doentes de todo o país, o que exigirá a criação de uma rede nacional de referenciação e o reforço dos mecanismos de apoio aos doentes e às famílias que tenham de se deslocar ao Porto.
O próximo passo será o lançamento do concurso público para a construção do edifício que irá acolher os equipamentos. Segundo o presidente do IPO do Porto, trata-se de uma obra de elevada complexidade técnica, concebida especificamente para receber estes sistemas, pelo que apenas pode avançar após a conclusão do processo de adjudicação.
O projeto da infraestrutura está orçado em cerca de 20 milhões de euros, dos quais 85% serão financiados pelo programa Norte 2030, cabendo ao Ministério da Saúde suportar os restantes cerca de três milhões de euros.
O novo centro ficará integrado no parque hospitalar do IPO do Porto, junto ao atual edifício de radioterapia, reforçando aquele que já é o maior parque tecnológico de radioterapia da Península Ibérica e que passará a ser o maior da Europa.
De acordo com informação enviada pelo IPO do Porto à Lusa, a empresa belga Ion Beam Applications, líder mundial nesta tecnologia, prevê entregar os equipamentos em meados de 2028. Nessa altura deverá estar concluída a primeira fase da construção do edifício, seguindo-se a instalação e a verificação técnica dos sistemas.
LUSA/SO
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