9 Jun, 2020

Urgência dos Covões. Hospitais de Coimbra remetem decisão para a ARS

O CHUC remeteu para a ARS do Centro qualquer decisão sobre a definição do perfil da urgência do Hospital dos Covões.

“Relativamente à Urgência do Hospital dos Covões, a definição do seu perfil de funcionamento é competência da ARS do Centro, em obediência a Despacho do Ministro da Saúde de 23/11/2015, pelo qual ‘a existência de um polo da Urgência do CHUC no Hospital dos Covões fica dependente, quanto ao horário e tipologia, de orientação da ARS do Centro’. A decisão sobre a tipologia da Urgência a localizar no polo HG [Hospital dos Covões] do CHUC é de natureza técnica, como foi afirmado pela atual Ministra da Saúde”, lê-se numa nota de imprensa.

A informação enviada à agência Lusa diz ainda que o “edifício central do HG [Hospital Geral ou Hospital dos Covões] manterá atividade para doentes covid-19, com reserva de unidades dedicadas (internamento e cuidados intensivos” e que, a partir de 15 de junho, regressarão a “unidade de cirurgia de ambulatório (UCA), com cirurgia de ambulatório com e sem pernoita, em funcionamento pleno, com atividade nas especialidades de cirurgia geral, cirurgia vascular, oftalmologia, cirurgia máxilo-facial, ginecologia, urologia, neurocirurgia, estomatologia”.

 

Blocos, enfermarias de Medicina Interna e outras valência reativadas no dia 15

 

Também a partir dessa data, estará disponível “o bloco operatório para cirurgia convencional, com disponibilidade plena de salas, nas especialidades de ortopedia, cirurgia geral e otorrinolaringologia, com disponibilidade de internamento para apoio; além de “duas enfermarias de medicina interna (H e G), com lotação total de 50 camas, incluindo a reativação da UnIESA (Unidade de Envelhecimento Saudável e Ativo, em que se inclui a ortogeriatria)”.

A “atividade de cardiologia, com ecocardiografia, provas de esforço, ‘holter’, hemodinâmica com e sem pernoita, tendo a UCIC como internamento de apoio”; a “diálise peritoneal a funcionar com circuito autónomo da restante atividade de nefrologia e atividade de pneumologia ambulatória, com hospital de dia não oncológico e provas funcionais respiratórias” também ficam ativas, assim como o “Hospital de dia de diabetes e doenças auto-imunes para restabelecimento de atividade”.

“Os restantes edifícios do HG irão continuar a albergar a retoma de atividade ambulatória, não-COVID, dando resposta a patologia prioritária anteriormente situada nesses edifícios e oriunda de outros edifícios do CHUC”, dizem também os Hospitais de Coimbra, que garantem que a “evolução da pandemia determinará a necessidade temporal de revisão desta deliberação, nomeadamente com introdução de outra atividade não-COVID no edifício central do HG”.

Já hoje, uma nota de imprensa deu conta de que o presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Manuel Machado, transmitiu ao Governo o “inadmissível” processo que parece estar em curso para desativar o Hospital Geral de Coimbra, mais conhecido por Hospital dos Covões.

“Não é aceitável que haja desmantelamento de serviços, de forma subtil, para reduzir as capacidades do Hospital dos Covões e do Serviço Nacional de Saúde”, salienta Manuel Machado, citado naquela nota de imprensa.

Manuel Machado já transmitiu esta preocupação e apreensão ao primeiro-ministro, António Costa, e à ministra da Saúde, Marta Temido.

Também em nota de imprensa, a Ordem dos Médicos do Centro condenou, “com veemência, a forma como estão a ser geridas as alterações no Hospital dos Covões desde o início do processo de fusão em 2011 que, por essa via, criou o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.

“Ainda não existe qualquer estudo que demonstre a viabilidade do projeto de fusão, nem os benefícios para os cuidados de saúde e para os doentes. Esta forma de atuação é condenável por fomentar a desconfiança”, assume o presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, citado numa nota de imprensa.

Numa outra informação enviada à Lusa, os deputados do Partido Socialista eleitos pelo distrito de Coimbra, reafirmam a intransigente oposição a qualquer tentativa de desmantelamento do Hospital dos Covões.

“O Hospital dos Covões não poderá nunca ser objeto de qualquer tipo de desmantelamento, devendo ter condições para assegurar e reforçar várias respostas de saúde essenciais, pelo que constitui um imperativo a aposta na prossecução de um programa de investimentos que potencie uma utilização eficaz da sua capacidade”.

Diversas organizações e cidadãos realizam na terça-feira, em Coimbra, um “cordão humano solidário” em defesa do Hospital dos Covões.

A iniciativa, que começa às 10:30 na entrada principal daquele hospital de Coimbra, tem como objetivo alertar a população da cidade e da região Centro para a passagem da urgência para o seu nível básico, por decisão da administração do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

Os promotores da concentração alegam que a transformação da atual urgência dos Covões, na margem sul do rio Mondego, em Serviço de Urgência Básico “irá levar ao encerramento da resposta de cardiologia, de pneumologia e de medicina interna” pelo também designado Hospital Geral do CHUC.

SO/LUSA

 

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