27 Out, 2026

ULS Santo António aponta adesão de 53,49% à greve dos enfermeiros e contraria sindicato

A Unidade Local de Saúde (ULS) Santo António, no Porto, registou uma adesão de 53,49% à greve dos enfermeiros, um valor inferior aos 100% avançados pelo sindicato SITEU. A paralisação, realizada a 26 de outubro, teve como principais reivindicações as progressões na carreira e o pagamento de valores em atraso.

ULS Santo António aponta adesão de 53,49% à greve dos enfermeiros e contraria sindicato

A Unidade Local de Saúde (ULS) Santo António, no Porto, avançou que a adesão à greve dos enfermeiros, convocada pelo Sindicato Independente de Todos os Enfermeiros Unidos (SITEU) para segunda-feira, 26 de outubro, se situou nos 53,49%, contrariando os números anteriormente divulgados pela estrutura sindical.

Em resposta escrita à agência Lusa, a ULS Santo António esclareceu que, entre as 10h00 e as 16h00, a adesão à paralisação foi de 53,49%, segundo os dados disponíveis até cerca das 15h45, altura em que a informação foi enviada.

Já no período compreendido entre as 00h00 e as 10h00, a taxa de adesão registada pela instituição foi de 50%.

Estes números diferem dos apresentados pela presidente do SITEU, Gorete Pimentel, que, por volta das 11h00, tinha apontado para uma adesão próxima dos 100%.

“As informações que tenho é de uma adesão à volta de 100%. Claro que garantimos os serviços mínimos. Não deixamos ninguém sem cuidados, mas também não podemos desistir dos nossos direitos”, afirmou a dirigente sindical à Lusa.

A greve teve como principais motivos os atrasos nos processos de avaliação de desempenho, que condicionam as progressões na carreira dos enfermeiros, e a falta de pagamento de montantes devidos aos profissionais.

Segundo Gorete Pimentel, existem situações em que os valores em dívida são particularmente elevados, apontando o caso de um enfermeiro que terá mais de 20 mil euros por receber.

“Temos um colega que tem mais de 20 mil euros em dívida. Os trabalhadores trabalham e têm direito ao seu trabalho. Não podemos estar a financiar o SNS [Serviço Nacional de Saúde]. A enfermeira diretora [da ULS Santo António] já nos disse que isto tem de se resolver e que a administração está solidária, mas permanece o bloqueio da parte dos recursos humanos que não faz as contas”, declarou.

No pré-aviso de greve, o SITEU exigia a homologação das avaliações de desempenho referentes ao biénio 2023/2024 e ao ano de 2025, bem como a concretização dos respetivos efeitos remuneratórios, incluindo o pagamento de retroativos e dos correspondentes juros de mora.

Entre as reivindicações consta também a aplicação efetiva da Lei n.º 51/2025, nomeadamente a correção dos posicionamentos remuneratórios e a regularização dos valores em dívida, pelo menos desde novembro de 2024.

Num documento enviado às redações, o sindicato revelou ter comunicado à administração da ULS Santo António que «não basta anunciar intenções, apresentar propostas ou assumir compromissos sem concretização».

“Os enfermeiros não podem continuar indefinidamente à espera de receber aquilo a que têm direito. A avaliação de desempenho é uma obrigação legal, com consequências na progressão profissional e na remuneração, e não pode ficar dependente da vontade ou da disponibilidade administrativa das instituições”, sublinhava o SITEU no pré-aviso de greve.

 

LUSA/SO

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