Quase metade das pessoas com paramiloidose apresenta níveis insuficientes de literacia em saúde
Cerca de 50% das pessoas com paramiloidose apresentam níveis inadequados ou problemáticos de literacia em saúde. A qualidade de vida média situa-se nos 66,31 pontos, numa escala de 0 a 100, e mais de metade dos participantes classifica a sua saúde geral apenas como razoável. Os novos dados são divulgados no arranque da 2.ª edição da Campanha “Pé Ante Pé”.

Quase metade das pessoas com paramiloidose apresenta dificuldades no acesso, compreensão, avaliação e aplicação de informação relacionada com a sua saúde. De acordo com novos dados do estudo LANTERN, 49,6% dos participantes apresentam níveis inadequados ou problemáticos de literacia em saúde. O estudo mostra ainda que uma melhor literacia em saúde está significativamente associada a uma melhor qualidade de vida percebida, a uma maior ativação do doente e a uma melhor perceção da saúde física e mental (p<0,001), identificando dimensões relevantes para a experiência das pessoas que vivem com esta doença.
Os resultados revelam também o impacto multidimensional da paramiloidose. A qualidade de vida média dos participantes situa-se nos 66,3 pontos, numa escala de 0 a 100, enquanto 55,2% classificam a sua saúde geral como razoável e 46,2% fazem a mesma avaliação relativamente à sua saúde mental. Os dados reforçam, assim, que o impacto da doença não se limita às manifestações físicas, estendendo-se à forma como os doentes percecionam o seu bem-estar, vivem e gerem a doença no dia a dia.
O estudo LANTERN mostra também que níveis mais elevados de literacia em saúde e de ativação do doente, entendida como a capacidade e predisposição da pessoa para participar na gestão da sua saúde, estão associados a uma melhor qualidade de vida percecionada.
“Viver com paramiloidose implica muito mais do que gerir os sintomas físicos da doença. Estes resultados mostram-nos que compreender a informação que recebemos, sentirmo-nos preparados para tomar decisões e conseguir participar ativamente nos nossos cuidados são também dimensões importantes da experiência dos doentes. A informação tem de chegar às pessoas de uma forma clara, acessível e que lhes permita ter um papel cada vez mais informado no seu percurso”, afirma Miguel Silva, presidente da Associação Portuguesa de Paramiloidose (APP).
É neste contexto que é lançada a 2.ª edição da Campanha “Pé Ante Pé”, promovida pela Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), pela Associação Portuguesa de Paramiloidose (APP), pela Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) e pela Sociedade Portuguesa de Estudo das Doenças Neuromusculares (SPEDNM), com o apoio da AstraZeneca. Depois de uma primeira edição dedicada a aumentar o conhecimento sobre a paramiloidose, promover a deteção precoce e reforçar o papel das famílias no acompanhamento da doença, a campanha dá agora continuidade ao trabalho de sensibilização e informação sobre uma patologia rara, hereditária e progressiva.
Nesta nova edição, a campanha “Pé Ante Pé” reforça também a sua presença digital, com o lançamento de páginas próprias no Instagram e no Facebook. Os novos canais pretendem prolongar a sensibilização ao longo do ano e disponibilizar informação sobre a paramiloidose e conteúdos de literacia em saúde, dando também visibilidade às iniciativas desenvolvidas no âmbito da campanha e aproximando o projeto das pessoas que vivem com a doença, familiares, cuidadores e profissionais de saúde.
A paramiloidose, também conhecida como doença dos pezinhos, é uma doença genética, rara e progressiva, caracterizada pela acumulação de depósitos de uma proteína chamada transtirretina (TTR) em diferentes órgãos e tecidos, podendo afetar sobretudo os nervos e também outros órgãos, como o coração e os rins. Em Portugal, existem mais de 2.000 pessoas portadoras da mutação genética associada à doença, das quais cerca de 35% ainda não apresentam manifestações da doença. Os dados disponíveis evidenciam uma ampla dispersão geográfica dos indivíduos com mutação TTR em Portugal, com maiores concentrações identificadas nos distritos do Porto, Braga e Aveiro.
De natureza hereditária, a paramiloidose pode ser transmitida entre gerações. Quando um dos progenitores apresenta a mutação no gene TTR, existe uma probabilidade de 50% de a transmitir a cada filho. A identificação da doença e o acompanhamento das pessoas portadoras da mutação assumem, por isso, particular relevância numa patologia que pode afetar várias gerações de uma mesma família.
O Estudo LANTERN, desenvolvido pela Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade NOVA de Lisboa, em parceria com a Associação Portuguesa de Paramiloidose, a Sociedade Portuguesa de Estudo das Doenças Neuromusculares e a AstraZeneca, sob coordenação da investigadora Ana Rita Pedro, pretende retratar as necessidades e a qualidade de vida das pessoas com paramiloidose em Portugal e identificar os principais determinantes que influenciam a sua qualidade de vida. O estudo procura ainda gerar conhecimento que possa contribuir para futuras políticas de saúde e práticas clínicas orientadas para as necessidades das pessoas que vivem com a doença.
COMUNICADO












