18 Mar, 2026

ULS Amadora-Sintra anuncia plano ambicioso para reorganização da urgência

Sandra Cavaca, presidente do conselho de administração da ULS Amadora-Sintra, sublinhou que a reorganização deve ser integrada com os cuidados primários, reconhecendo que existem cerca de 190 mil utentes sem médico de família, o que dificulta a contratação de profissionais.

ULS Amadora-Sintra anuncia plano ambicioso para reorganização da urgência

A presidente da ULS Amadora-Sintra, Sandra Cavaca, afirmou hoje que a reorganização do serviço de urgência da unidade é “um objetivo ambicioso”, assente no reforço da articulação entre cuidados de saúde primários, SNS 24 e Hospital de Sintra, com o intuito de evitar atendimentos desnecessários. Sandra Cavaca, que assumiu funções há um mês, foi ouvida na Comissão de Saúde da Assembleia da República, a pedido da Iniciativa Liberal, na sequência da sua nomeação para o cargo.

A responsável revelou que encontrou “uma urgência com um diretor de urgência demissionário e a saída de 11 profissionais”. “Se já éramos poucos, ficámos ainda mais depauperados”, afirmou, destacando a pressão existente no serviço. Para aliviar a situação, a presidente indicou que aumentou de 65 para 90 as camas sociais em lares, retirando utentes da urgência, e criou “uma comissão de urgência” para gerir o serviço até estabilizar a prestação e atrair médicos, incluindo alguns que já tinham saído.

Além disso, a ULS está em contacto com empresas prestadoras de serviços para ter “médicos tarefeiros” regulares, e estão a ser analisados os circuitos de doentes com pulseiras verdes e azuis, casos menos urgentes, para os retirar do serviço de urgência. Estão planeados Centros de Atendimento Complementar, um no Hospital de Sintra e outro na Amadora, para dar resposta rápida a este tipo de casos.

Sandra Cavaca sublinhou que a reorganização deve ser integrada com os cuidados primários, reconhecendo que existem cerca de 190 mil utentes sem médico de família, o que dificulta a contratação de profissionais.

O plano estratégico da ULS inclui ainda a atração de profissionais para o Hospital de Sintra, com construção de um novo edifício, aumento do número de camas e melhoria dos rácios em relação a padrões nacionais e internacionais, num horizonte de três anos. As boas condições de trabalho, horários flexíveis, teleconsulta e centros de atendimento complementar são vistos como essenciais para fixar os profissionais e reduzir a pressão sobre as urgências.

A presidente lembrou que a ULS Amadora-Sintra atende atualmente cerca de 600 mil habitantes, quando o hospital foi pensado para 200 mil, exigindo soluções diferenciadas. O plano envolve também a construção de três novos centros de saúde na Amadora e três ou quatro em Sintra, reforçando a rede local de cuidados e tornando a unidade mais atrativa para médicos, enfermeiros e técnicos. O projeto será apresentado em abril aos autarcas e à comunidade para recolher contributos antes de avançar com candidaturas e implementação.

SO/LUSA

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