9 Dez, 2025

UE alerta para aumento de infeções graves por listeria na Europa

Além da Listeria, infeções como Campylobacter e Salmonella continuam a ser as mais comuns na Europa, com a carne de aves e os ovos entre as principais fontes.

UE alerta para aumento de infeções graves por listeria na Europa

Estão a aumentar as infeções graves por Listeria monocytogenes na Europa, provavelmente devido a alterações nos hábitos alimentares e ao envelhecimento da população, alertou a União Europeia (UE). A conclusão surge no novo Relatório de Zoonoses “Uma Só Saúde”, elaborado pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC).

Segundo o documento, as doenças transmitidas por alimentos continuam a afetar pessoas de todas as idades, com especial impacto nos grupos mais vulneráveis. Ovos, carne e produtos prontos a consumir permanecem entre as principais fontes de contaminação.

Em 2024, a Listeria destacou-se como a infeção alimentar mais grave registada na UE: cerca de 70% dos infetados necessitaram de internamento hospitalar e aproximadamente 8% acabaram por morrer. Apesar da baixa prevalência da bactéria nos alimentos — entre 0% e 3% das amostras analisadas — as salsichas fermentadas revelaram ser os produtos mais frequentemente contaminados.

Ole Heuer, chefe da Unidade Única de Doenças Relacionadas com a Saúde do ECDC, sublinhou que, apesar de rara, a Listeria “pode causar doenças graves”, constituindo uma das “ameaças alimentares mais sérias” acompanhadas pelo organismo. O aumento de casos tem sido associado ao envelhecimento da população europeia, ao maior consumo de alimentos prontos a comer e a falhas na conservação.

Além da Listeria, infeções como Campylobacter e Salmonella continuam a ser as mais comuns na Europa, com a carne de aves e os ovos entre as principais fontes. Dados do setor animal indicam um aumento significativo de galinhas reprodutoras e lotes de perus positivos para Salmonella na última década. Em 2025, apenas 14 Estados-membros cumpriram integralmente as metas de redução da bactéria.

A vigilância intensificou-se também no que diz respeito à gripe aviária. Entre 6 de setembro e 14 de novembro, foram identificados 1.443 focos da doença em aves selvagens em 26 países da UE — o valor mais elevado desde pelo menos 2016. Em resposta, a EFSA instou os Estados-membros a reforçarem medidas de biossegurança para conter a propagação.

Em Portugal, a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) confirmou 44 focos ativos e mantém o alerta para o elevado risco de disseminação, apelando à adoção de medidas adicionais de prevenção. A transmissão para humanos é rara, mas pode provocar doença grave.

Frank Verdonck, chefe da Unidade de Riscos Biológicos e Saúde e Bem-Estar Animal da EFSA, destacou que o controlo das bactérias transmitidas por alimentos “exige esforço contínuo e coordenação entre setores”.

As autoridades recordam que a maioria das doenças alimentares é evitável e reforçam recomendações como manter o frigorífico a 5 ºC ou menos, cozinhar bem carne e aves, lavar mãos e utensílios após manusear alimentos crus, separar produtos crus dos cozinhados e respeitar os prazos de validade. Idosos, grávidas e pessoas com imunidade fragilizada devem evitar alimentos de maior risco, como produtos prontos a consumir, leite cru e queijos de pasta mole não pasteurizados.

O relatório “Uma Só Saúde” compila dados de todos os Estados-membros da UE e de 11 países não pertencentes ao bloco, numa abordagem que integra saúde humana, animal e ambiental.

SO/LUSA

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