SPMI propõe dupla titulação de Medicina Interna com Medicina de Urgência

Não obstante, presidente da SPMI alerta que "é errado passar ideia de que nova especialidade resolverá problemas da Urgência no país". Criação de especialidade está em debate desde maio.

A Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) apresenta um projeto para que, no final da Formação Específica em Medicina Interna, se possa obter uma dupla titulação com a Medicina de Urgência.

Em debate interno na Ordem dos Médicos (OM) desde maio deste ano, com reuniões entre vários Colégios de Especialidade, está a avaliação da necessidade de criação de uma Especialidade de Medicina de Urgência e Emergência em Portugal. A premência desta medida, cujo debate reacendeu durante a pandemia, tem como principal argumento o facto de na maior parte dos países europeus existir a Especialidade de Medicina de Urgência.

Para o presidente da SPMI, o Dr. João Araújo Correia, “o nascimento de uma nova especialidade médica não deve fazer-se de ânimo leve, por imitação ou interesses corporativos. Deve ter em conta as especificidades do país e só se justifica quando promove vantagens na aquisição de conhecimentos, torna a organização mais eficiente e acrescenta qualidade na resposta dada aos doentes”.

Apesar de a opinião generalizada dos órgãos da Medicina Interna em Portugal ser de que a criação da Especialidade de Urgência não é uma necessidade premente, a SPMI apresenta um projeto em que, no final da Formação Específica em Medicina Interna, será possível obter uma dupla titulação com a Medicina de Urgência.

“Nada é mais errado em Portugal do que confundir a Urgência com a Emergência. É errado passar a ideia de que uma nova especialidade resolverá os problemas da Urgência no país. Outro aspeto muito relevante a ter em conta é o facto de mais de 90% dos internamentos médicos terem origem no Serviço de Urgência (SU), pelo que a presença dos Internistas no SU é uma garantia de segurança dos doentes ao evitarem altas indevidas, com consequentes atrasos nos diagnósticos”, defende o Dr. João Araújo Correia.

A Medicina Interna é a especialidade hospitalar mais numerosa, representando 14% do total de especialistas hospitalares. Segundo os dados de 2018 divulgados pelo Ministério da Saúde, ocorreram 6,36 milhões de episódios de urgência, dos quais cerca de 40% dos atendimentos (2,2 milhões) foram classificados como pouco ou nada urgentes (pulseira verde ou azul) e a 42,7% (2,6 milhões) foi atribuída a cor amarela, que é onde reside a maior incerteza acerca da real gravidade clínica.

Comunicado/SO

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