14 Fev, 2020

SOS Hepatites denuncia atrasos no acesso ao tratamento da hepatite C

Associação relata que doentes esperam entre dois e quatro meses pelo início do tratamento. Atrasos são maiores nos hospitais do interior do País.

A SOS Hepatites alertou hoje para os atrasos na disponibilização dos tratamentos aos doentes com hepatite C, sobretudo nos hospitais mais pequenos, do interior do país, lembrando que a espera pela medicação chega, por vezes, aos quatro meses.

Segundo relatou Emília Rodrigues, da associação de doentes, à Lusa a situação “está melhor do que estava há um ano, em que se esperava entre nove e 12 meses. Neste momento isso não acontece, mas mesmo assim ainda esperamos dois a quatro meses”.

A responsável lembra também que, apesar de esta espera não colocar em causa a eficácia do tratamento, “pode colocar em causa a saúde do doente, porque o fígado continua a degradar-se” enquanto o doente aguarda pelo acesso à terapêutica.

Emília Rodrigues relata que os atrasos maiores são registados nos hospitais mais pequenos, no interior do país. Na perspetiva da dirigente, a origem da demora na disponibilização da terapêutica pode estar relacionada com o facto de, desde finais de 2017 os pagamentos aos fornecedores ficaram a cargo das administrações hospitalares, quando antes eram da responsabilidade da Administração Central do Sistema de Saúde. Nessa medida, sublinha, “é mesmo uma questão economicista. (…) Eu também entendo as administrações hospitalares e a lei dos compromissos. O doente é que não pode sofrer por causa disso”.

A qualidade de vida dos doentes com hepatite vai estar em debate amanhã, no VII Congresso Nacional SOS Hepatites, que decorre na sede da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (APIFARMA), em Lisboa.

SO/Lusa

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