17 Out, 2025

Solidão está associada a mais de 870 mil mortes prematuras por ano, alerta OCDE

O estudo da OCDE sobre solidão identifica homens e jovens como os novos grupos de risco e defende a adoção de medidas.

Solidão está associada a mais de 870 mil mortes prematuras por ano, alerta OCDE

A solidão e a falta de relações sociais estão ligadas a mais de 870 mil mortes prematuras por ano em todo o mundo e representam um risco acrescido para a saúde física e mental, de acordo com um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

O relatório, que analisou as ligações sociais em mais de 20 países, conclui que “passar pouco tempo a interagir com outras pessoas e sentir-se sozinho está associado à mortalidade prematura – até 871 mil mortes globais anualmente – e a um risco acrescido de várias doenças físicas e mentais”.

Além do impacto direto na saúde, a OCDE alerta que a solidão está também relacionada com piores desempenhos profissionais, maior probabilidade de desemprego e abandono escolar precoce. Pelo contrário, as interações sociais frequentes estão associadas a melhor saúde, maior satisfação no trabalho e melhores resultados académicos.

Nos países abrangidos pelo estudo – entre os quais Portugal –, as ligações sociais continuam a ser, em geral, fortes: mais de dois terços das pessoas interagem com amigos ou familiares diariamente, e 90% afirmam ter alguém em quem confiar em momentos de necessidade.

Contudo, a OCDE identifica sinais preocupantes: 10% das pessoas sentem-se sem apoio, 8% dizem não ter amigos próximos e 6% afirmam sentir-se sozinhas na maior parte ou durante todo o tempo, nas últimas quatro semanas.

A organização nota também uma redução consistente das interações presenciais entre 2006, 2015 e 2022 em 21 países europeus, embora o contacto remoto tenha aumentado nesse período.

O estudo identifica homens e jovens como novos grupos de risco. Apesar de os homens tradicionalmente reportarem menores níveis de solidão do que as mulheres, entre 2018 e 2022 este grupo registou uma “maior deterioração das relações sociais”. Já os jovens referiram maior insatisfação com as suas relações e menos encontros presenciais com amigos.

A OCDE sublinha ainda que desemprego, baixos rendimentos, idade avançada e viver sozinho estão fortemente associados à solidão. Pessoas desempregadas ou com rendimentos mais baixos têm o dobro da probabilidade de se sentirem sozinhas, enquanto quem vive sozinho tem 1,5 vezes mais probabilidade de se declarar insatisfeito com as suas relações pessoais. Entre os idosos, 11% afirmam nunca encontrar amigos pessoalmente num ano normal — mais do dobro da média populacional.

A organização alerta que a quantidade e qualidade das ligações sociais são cruciais não só para o bem-estar individual, mas também para reduzir custos sociais e económicos evitáveis.

Embora a atenção política à solidão e ao isolamento social já existisse antes da pandemia de covid-19, a OCDE sublinha que a consciência sobre o problema aumentou significativamente após 2020. Países como Alemanha, Dinamarca, Finlândia, Países Baixos, Suécia e Espanha já implementaram estratégias nacionais para combater a solidão — um caminho que, segundo a organização, deve ser seguido por mais governos.

SO/LUSA

Notícia relacionada

“A solidão associa-se a aumento de problemas de saúde, como doenças cardiovasculares, neurodegenerativas e metabólicas”

ler mais

Partilhe nas redes sociais:

ler mais