1 Out, 2021

SNS tem “falta gritante” de fisioterapeutas, garante candidato à Ordem

Centros de saúde e hospitais do SNS só contam com 10% do total de fisioterapeutas a exercer em Portugal, um valor muito abaixo da média europeia.

O candidato às primeiras eleições para o cargo de bastonário da Ordem dos Fisioterapeutas (OF) Emanuel Vital alerta para a “falta gritante” destes profissionais no Serviço Nacional de Saúde, que emprega 1.200, um décimo dos fisioterapeutas existentes em Portugal.

“Isto significa que muitos utentes tiveram e ainda têm dificuldade para ter acesso a fisioterapia, e as condições debilitantes, as condições crónicas e as condições com várias patologias estão a agravar-se por falta de capacidade de resposta do SNS em recursos de fisioterapia”, disse à agência Lusa Emanuel Vital, 57 anos, e fisioterapeuta desde 1984.

Segundo o fisioterapeuta, esta “falta de capacidade de resposta” verifica-se nos hospitais, mas principalmente nos cuidados de saúde primários.

Neste momento, há cerca de 15 mil cédulas profissionais atribuídas pela Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), estimando-se que existam entre 12 a 13 mil fisioterapeutas em exercício, considerando os que já se aposentaram e os que estão em mobilidade no estrangeiro.

Destes, 1.200 estão no SNS, “um décimo ou até menos que um décimo dos fisioterapeutas existentes em Portugal”, disse Emanuel Vital, que formaliza hoje a apresentação da sua candidatura a bastonário nas primeiras eleições da Ordem dos Fisioterapeutas, criada por despacho no dia 30 de setembro de 2019.

Número de fisioterapeutas no SNS teria de quadruplicar para Portugal igualar média europeia

 

Emanuel Vital adiantou que os 1.200 fisioterapeutas do SNS são um número muito distante do observado em países com um perfil sociodemográfico semelhante a Portugal, em termos de população, que têm em média 6.500 fisioterapeutas no serviço público.

“Mesmo duplicando os recursos humanos não chegaríamos a metade do referencial que temos em países comparados com Portugal”, disse, sublinhando que Portugal, em 28 países da Europa, posiciona-se no 26.º lugar.

“Se Portugal tem bons indicadores em algumas áreas da saúde, naquele indicador importante que nos permite perceber se o sistema pode ser sustentável ou não, que é o indicador de anos de vida vividos sem incapacidade, nesse indicador, Portugal tem um desempenho menos bom”, lamentou.

Para ultrapassar esta situação, defendeu ser preciso criar “um sistema mais eficiente”, para ter uma população “mais saudável”, que irá consumir menos recursos de saúde, mas para isso “é preciso apostar na fisioterapia”.

Defendeu ainda a importância de se aplicar em Portugal estudos económicos que são realizados em outros países para medir o desempenho dos fisioterapeutas portugueses e o seu impacto na saúde dos portugueses.

“Essa é uma das primeiras medidas que tentaremos implementar quando exercermos funções na Ordem dos Fisioterapeutas. É importante que isso aconteça para trazermos esses dados aos decisores políticos”, sublinhou.

Emanuel Vital foi presidente da Associação Portuguesa da Fisioterapeutas (APFISIO) entre 2016 e 2019, altura em que integrou a Comissão Pró-Ordem, que levou à aprovação do projeto de lei, por considerar que seria “o mecanismo adequado para representar a classe, defender os interesses dos cidadãos” e regular a profissão.

“Os tempos mais recentes viram a profissão crescer de forma exponencial e neste momento temos mais de 75% das fisioterapeutas com poucos anos da prática” notou Emanuel Vital.

As primeiras eleições estão marcadas para 15 de novembro e as candidaturas têm de ser apresentadas até 19 de outubro.

Ao cargo de bastonário também se candidata o fisioterapeuta António Lopes, que ocupou o cargo de vice-presidente da Comissão Pró-Ordem da Associação Portuguesa de Fisioterapeutas.

LUSA

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