Sindicato denuncia sobrecarga no Amadora-Sintra para manter urgência do novo Hospital de Sintra
O Sindicato dos Médicos da Zona Sul acusa a administração da ULS Amadora-Sintra de manter o novo Hospital de Sintra a funcionar “à custa” dos médicos do Hospital Amadora-Sintra, alertando para escalas extenuantes e ausência de recrutamento de clínicos para a nova unidade.

O novo Hospital de Sintra está a funcionar com médicos do Hospital Amadora-Sintra, o que agrava ainda mais a sobrecarga das equipas já desfalcadas da unidade original, alertou o Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS).
“Em vez de aliviar o Hospital Fernando Fonseca, o novo hospital está a aumentar a pressão sobre os seus profissionais”, denuncia o sindicato em comunicado, explicando que os clínicos, sobretudo de Medicina Interna, estão a ser deslocados para cobrir turnos na nova urgência sem que tenha havido qualquer recrutamento específico.
De acordo com o SMZS, os médicos estão a ser escalados para turnos consecutivos em ambas as unidades, alguns chegando a trabalhar 12 horas em Sintra e outras 12 horas seguidas no Amadora-Sintra, sem tempo previsto para deslocações ou descanso entre turnos.
O Serviço de UIrgência do Hospital Amadora-Sintra já estava em rutura, salienta a estrutura sindical, operando muitas vezes com apenas um ou dois especialistas e com a responsabilidade de acompanhar cerca de 600 doentes internados, além da urgência externa.
“O que já era mau tornou-se crítico”, afirma o sindicato, sublinhando que não se percebe como é possível abrir uma nova unidade hospitalar sem um plano de contratação próprio.
O novo Hospital de Sintra, construído pela Câmara Municipal e integrado na ULS Amadora-Sintra, foi inaugurado esta segunda-feira. Fica localizado no Casal da Cavaleira, freguesia de Algueirão-Mem Martins, e representou um investimento de 81 milhões de euros. Tem 10.500 m² de área coberta e 49.000 m² de área exterior, devendo beneficiar 550 mil utentes da região.
A nova unidade hospitalar dispõe de consultas externas, exames, ambulatório, cirurgia de ambulatório, medicina física e de reabilitação, saúde mental e um serviço de urgência básica. Esta urgência está dimensionada para cerca de 60 mil episódios por ano — cerca de metade da procura do Amadora-Sintra.
No entanto, a falta de contratação de novos profissionais e a mobilização de equipas do hospital de origem estão, segundo o SMZS, a colocar em risco tanto a qualidade da resposta no novo hospital como a sustentabilidade dos serviços no Amadora-Sintra.
LUSA/SO
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