23 Fev, 2022

São João realizou mais 50 mil consultas em 2021 face ao período pré-covid

O número de primeiras consultas aumentou “exponencialmente”, o que significa “uma melhor resposta aos pedidos dos centros de saúde”, refere o hospital.

O Centro Hospital Universitário de São João (CHUSJ), Porto, fez em 2021 cerca de mais 50 mil consultas face a 2019, o que corresponde a um novo máximo de consultas realizadas, descreveu o diretor do Centro de Ambulatório.

“Atingimos o maior número de consultas realizado de sempre”, disse Xavier Barreto à agência Lusa, destacando que o número de primeiras consultas aumentou “exponencialmente”, o que significa “uma melhor resposta aos pedidos dos centros de saúde”.

Em 2021, o CHUSJ realizou 816.172 consultas, 231.843 das quais primeiras e 584.329 subsequentes.

Estes números traduzem um aumento de 79.423 consultas (10,78%) face a 2020, ano em que a pandemia da covid-19 criou constrangimentos nos hospitais, e de 49.481 consultas (6,45%), comparando com 2019, período pré-covid.

Xavier Barreto apontou que o aumento percentual é mais expressivo nas primeiras consultas, correspondendo a 9,71% de aumento em comparação com 5,21 % nas subsequentes, o que se deve “ao facto do Conselho de Administração ter definido como objetivo a melhoria no acesso e a resposta aos pedidos dos centros de saúde”.

“O que fizemos em 2021 foi reestruturar a nossa atividade. Reestruturar agendas, alterar para dar mais espaço a primeiras consultas, não retirando as subsequentes, mas acrescentando vagas de primeiras. Trabalhámos até mais tarde, uma alteração de horário que, com estes números que se traduzem numa melhor resposta aos doentes, vai ficar para sempre”, descreveu.

Na prática, em causa está o prolongamento das 18:00 para as 20:00 horas do horário para consultas.

Em 2021, foram realizadas 8.864 consultas em regime de atividade adicional.

O prolongamento de horário tem associado um pagamento específico adicional aos profissionais de saúde.

Oftalmologia, ortopedia e cirurgia geral foram as três especialidades que mais consultas realizaram.

“Isto foi possível graças ao esforço dos funcionários do Centro de Ambulatório, particularmente dos menos visíveis, aqueles que ficam tantas vezes nos bastidores, dos assistentes técnicos e dos assistentes operacionais. Mas também um esforço enorme dos profissionais de saúde que redobraram esforços e o tempo dedicado à consulta externa”, descreveu Xavier Barreto.

Ainda de acordo com os dados hoje divulgados pelo São João, a mediana do tempo de espera passou de 91 dias em 2019 para 59 dias em 2021, e não existem doentes à espera de consulta há mais de 270 dias.

Quanto aos doentes atendidos dentro do Tempo Médio de Resposta Garantido (TMRG), esse subiu de 52% em 2019 para 89 % em 2021, sendo objetivo do CHUSJ este ano chegar aos 100%.

“Todos os doentes deviam ser tratados em tempo adequado, o que às vezes não é possível por excesso de procura ou dificuldade de resposta, mas o nosso objetivo – agora que alcançamos estes números – é chegar aos 100%”, disse.

A TMRG é o tempo considerado clinicamente aceitável para a prestação dos cuidados de saúde adequados à condição de cada utente do Serviço Nacional de Saúde, indicador definido por lei e publicado em Diário da República.

São também objetivos para 2022 “melhorar a articulação com os centros de saúde e definir protocolos de referenciação”, um trabalho que “nunca está acabado”, admitiu o diretor do Centro de Ambulatório, estrutura cuja base conta com 60 assistentes técnicos, 50 assistentes operacionais e 150 enfermeiros.

Em 2020, disse, quase 20% da atividade em consulta externa foi realizada sem presença do doente, taxa que desceu para cerca de metade no ano passado.

Mas esta é uma prática para manter no futuro porque, explicou Xavier Barreto, “há doentes que beneficiam da não vinda ao hospital” porque “podem renovar a medicação e falar com o médico para esclarecer dúvidas sem necessidade de observação clínica”.

Quanto à retoma de atividade em hospital de dia do São João, uma área que obrigou a procedimentos mais apertados uma vez que todos os doentes são testados e a limpeza e desinfeção dos cadeirões é mais complexa, Xavier Barreto referiu que “foram já atingidos os níveis de 2019”, como cerca de 79 mil tratamentos.

SO/LUSA

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