25 Jan, 2022

Projeto procura novas terapias para tumores pediátricos do sistema nervoso central

Investigadores do i3S vão produzir organoides ex-vivo a partir de material cirúrgico de tumores, de modo a "testar fármacos de terapêutica dirigida".

Investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto vão procurar encontrar novas terapias para os tumores pediátricos do sistema nervoso central através da produção de organoides.

Em comunicado, o instituto da Universidade do Porto revela que o projeto, intitulado “Ex-Brain – Organoides ex-vivo 3D para medicina de precisão em tumores pediátricos do sistema nervoso central”, visa produzir organoides ex-vivo a partir de material cirúrgico de tumores do sistema nervoso central pediátricos.

Um organoide é um conjunto de células de um tecido específico, cultivadas in vitro, e que pode ser usado para estudar determinado órgão.

Estes organoides “funcionarão como modelo para testar fármacos de terapêutica dirigida e, desta forma, auxiliar a decisão clínica”, esclarece o principal investigador, Jorge Lima.

Além de investigadores do i3S, a investigação por novas terapias para os tumores pediátricos inclui também uma equipa do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (Ipatimup) e de médicos especialistas do Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ).

No decorrer da investigação, a equipa vai também determinar o perfil “detalhado” dos tumores pediátricos, que permitirá obter “informação crucial sobre os fármacos de terapêutica dirigida mais relevante” que depois poderão ser testados nos organoides.

De acordo com o investigador, o projeto permitirá “produzir resultados”, tanto de biologia molecular, como de sensibilidade a fármacos, que “poderão permitir encontrar novas abordagens terapêuticas individualizadas para cada criança, contribuindo significativamente para a melhoria da sua sobrevida e qualidade de vida”.

Desvendar terapias individualizadas é “particularmente relevante na oncologia pediátrica”, nota Jorge Lima.

“Os atuais tratamentos de radio e quimioterapia têm efeitos adversos significativos e um impacto negativo na qualidade de vida dos sobreviventes”, acrescenta.

A equipa de investigadores pretende ainda criar um “biobanco de organoides de tumores pediátricos do sistema nervoso central” para que possam ser utilizados em futuras investigações na procura de potenciais alvos e novas terapêuticas.

O projeto foi recentemente distinguido com o Prémio Rui Osório de Castro/Millennium BCP, no valor de 15 mil euros.

LUSA

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