12 Jan, 2022

Profissionais do SNS fizeram 22 milhões de horas extra no ano passado, um recorde

“É evidente que o SNS precisa de contratar mais médicos, ter melhores condições de trabalho, mais investimento”, alerta o secretário-geral do SIM, Jorge Roque da Cunha.

Estabeleceu-se um novo recorde no Serviço Nacional de Saúde (SNS): em 2021, os profissionais do SNS realizaram quase 22 milhões de horas extraordinárias. Este número representa mais 26% do que o total observado em 2020, ano em que já se tinha registado o maior valor de horas extra feitas, avança o Público.

Os dados fornecidos no Portal do SNS não permitem desagregar o número de horas extraordinárias por grupo profissional. No entanto, “os médicos deverão ter feito cerca de 7,5 milhões de horas extra”, estima o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos, Jorge Roque da Cunha.

“É evidente que o SNS precisa de contratar mais médicos, ter melhores condições de trabalho, mais investimento”, sendo “essencial criar condições para que fiquem no SNS”, acrescenta, confirmando a necessidade de uma reestruturação. “O número de rescisões vai continuar a aumentar e vão existir reformas e, se nada for feito, vai manter-se a incapacidade de captar novos especialistas”, diz.

Os números “são a ponta do icebergue” e mostram que “é preciso contratar mais pessoas”, comenta a presidente da Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros, Lúcia Leite. “O que me preocupa é que, nos hospitais, em média, os enfermeiros não recebem mais de dois/três turnos extra e fazem mais do que isso. São horas acumuladas e não pagas”, alerta.

De acordo com os dados, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) é a instituição que mais horas de trabalho suplementar registou em 2021, com 1,6 milhões de horas, seguida do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte (1,4 milhões) e da Administração Regional Saúde (ARS) do Norte (1,3 milhões).

Em comparação com o ano de 2020, entre as cinco instituições do SNS onde se registou um maior aumento nas horas extraordinárias, apenas uma não é uma ARS. A ARS Lisboa e Vale do Tejo é a instituição onde esta diferença foi mais significativa, já que registou mais 597 880 horas em 2021 do que no ano anterior. Segue-se a ARS Norte (mais 582 470 horas), a ARS Centro (mais 509 828) e o CHUC (mais 382 092).

SO

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