14 Dez, 2021

Profissionais de saúde não se fixam no litoral alentejano por “falta de habitação acessível”

A maior dificuldade recai “na área da enfermagem”, com um défice de “50 a 60 enfermeiros”, segundo a presidente da Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano.

A presidente do conselho de administração da Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano (ULSLA), Catarina Filipe, admite não existir capacidade “para fixar recursos na região” devido à falta de habitação “com rendas acessíveis para os profissionais de saúde”. A maior dificuldade recai “na área da enfermagem”, existindo um défice de “50 a 60 enfermeiros”.

De visita ao ao Serviço de Medicina Intensiva (SMI) do Hospital do Litoral Alentejano (HLA), em Santiago do Cacém (distrito de Setúbal), que recentemente foi alvo de obras de ampliação para expandir a sua capacidade, o secretário de Estado da Saúde Diogo Serras Lopes considerou, a este propósito, que a fixação de profissionais de saúde em regiões como o litoral alentejano depende também da “capacidade de investimento” no SNS.

“Também se melhora pela capacidade de investimento no próprio SNS, ou seja, as condições de trabalho são uma componente absolutamente essencial para manter as pessoas nos sítios, não só condições físicas, mas também por poderem evoluir naquilo que é o seu conhecimento e a sua carreira”, afirmou.

Por outro lado, adiantou, a dificuldade em contratar profissionais de saúde em zonas mais periféricas do país também se contorna, dando continuidade aos “vários debates em torno daquilo que é a carreira de todos os profissionais de saúde”.

“Esse debate de alguma forma foi interrompido pelo ciclo eleitoral que agora estamos a viver, mas as propostas já existiam e estavam em cima da mesa, e essa abertura por parte do Governo mantém-se totalmente válida”, reforçou.

Diogo Serras Lopes afirmou que o hospital de Santiago do Cacém “passa também a ter capacidade formativa em Medicina Intensiva e essa componente é absolutamente essencial para a fixação de profissionais e para a formação de novos profissionais, porque sabemos que há áreas onde há escassez de profissionais qualificados”, frisou.

O novo Serviço de Medicina Intensiva do HLA, um investimento de 1,2 milhões de euros, traduziu-se num aumento de quatro quartos, com antecâmara e sistema mecânico de ventilação/ar tratado em pressão variável, fixando a lotação deste serviço em 11 camas.

Também o número de profissionais de saúde neste serviço aumentou, passando de 18 para 26 enfermeiros e de seis para sete médicos de Medicina Intensiva, segundo dados da Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano (ULSLA).

“Esta ideia de que é um hospital com mais soluções e mais capacidade de tratar os doentes é absolutamente essencial para convencer os profissionais a virem para esta região, que é maravilhosa em termos de condições físicas, mas não é só isso que conta, daí estes investimentos”, realçou.

SO/LUSA

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