3 Set, 2026

Problemas estruturais do Amadora-Sintra não serão resolvidos a curto prazo, admite diretor-executivo do SNS

Os problemas estruturais do Hospital Fernando da Fonseca (Amadora-Sintra) não terão uma solução a curto prazo, reconheceu hoje o diretor-executivo do SNS, Álvaro Almeida, que considerou “inaceitáveis” os tempos de espera nas urgências daquela unidade.

Problemas estruturais do Amadora-Sintra não serão resolvidos a curto prazo, admite diretor-executivo do SNS

Álvaro Almeida, diretor-executivo do Serviço Nacional de Saúde (DE-SNS), admitiu que os tempos médios de espera nas urgências estão atualmente abaixo dos registados no ano passado e “muito abaixo” dos de há dois ou três anos, mas sublinhou que continuam elevados, sobretudo em algumas unidades.

“O facto dos tempos médios estarem abaixo, não significa que não continuem elevados. Eram muito elevados, são menos elevados, mas continuam elevados, sobretudo em algumas unidades, onde há problemas sérios, como o Hospital Fernando da Fonseca, que se conhece, aqueles tempos de espera são inaceitáveis”, afirmou aos jornalistas, em Matosinhos, onde visitou a Unidade Local de Saúde (ULS) local.

O diretor-executivo do SNS identificou três hospitais com maiores dificuldades neste momento: o Fernando da Fonseca, o Hospital do Barreiro e o Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

No caso do Amadora-Sintra, considerou que a situação é “estrutural” e não resulta apenas da falta de médicos e enfermeiros.

“O Fernando da Fonseca está subdimensionado para a população que serve”, afirmou, acrescentando que uma grande percentagem da população da ULS Amadora-Sintra não tem médico de família e, por isso, não tem acesso adequado aos cuidados de saúde primários.

Esta situação faz com que a urgência hospitalar seja, muitas vezes, a porta de entrada no sistema de saúde, aumentando a pressão sobre o serviço.

“Os problemas estruturais do Fernando da Fonseca podem ser resolvidos de várias formas, nenhuma delas no curto prazo”, admitiu Álvaro Almeida.

O responsável sublinhou que a ULS Amadora-Sintra tem um novo conselho de administração e manifestou a expectativa de que este consiga estabilizar e reforçar as equipas, reorganizar o serviço de urgência e, dessa forma, minimizar os constrangimentos.

Questionado sobre a possibilidade de reforçar as equipas através do Hospital de Sintra, Álvaro Almeida afirmou que “está tudo em aberto”. Adiantou ainda que está a ser ponderada, a nível central, uma reorganização das redes de referenciação e das áreas de influência dos hospitais, de forma a equilibrar a carga assistencial entre as diferentes unidades.

“Estamos a introduzir um conjunto de alterações que no seu conjunto vão contribuir para minimizar o problema”, afirmou, ressalvando que, por se tratar de dificuldades estruturais, “certamente que elas não vão desaparecer de um dia”.

Na quarta-feira de manhã, os doentes classificados como urgentes no Hospital Fernando da Fonseca tinham um tempo de espera de 10 horas e 52 minutos para a primeira observação médica, segundo os dados disponíveis no portal do SNS às 08h45.

De acordo com o sistema de triagem, os casos muito urgentes, identificados com pulseira laranja, devem ser atendidos nos 10 minutos seguintes à triagem. Para os casos urgentes, com pulseira amarela, o tempo recomendado é de 60 minutos, enquanto para os pouco urgentes, com pulseira verde, é de 120 minutos.

Urgências obstétricas

Questionado também sobre os constrangimentos no Hospital Garcia de Orta, integrado na ULS Almada-Seixal, Álvaro Almeida rejeitou que o novo modelo de urgência regional de obstetrícia esteja a falhar.

“O modelo não está a falhar, pelo contrário”, afirmou, defendendo que, apesar de algumas urgências não estarem com as portas “totalmente abertas”, continuam a receber os casos mais urgentes.

“Antes as urgências estavam fechadas e, portanto, não respondiam. Neste momento respondem, não respondem da forma ideal, mas respondem aos casos mais urgentes”, sustentou.

Para o diretor-executivo do SNS, o modelo de urgências regionais veio garantir uma maior estabilidade na resposta, nomeadamente para as mulheres que necessitam de cuidados obstétricos urgentes.

“Uma garantia de que, neste caso, as mulheres tenham resposta quando efetivamente precisam, coisa que não acontecia antes”, concluiu.

LUSA/SO

Notícia relacionada

Falta de médicos põe doentes em risco nas urgências da ULS Entre Douro e Vouga, alerta sindicato

ler mais

Partilhe nas redes sociais:

ler mais