3 Set, 2026

Literacia em saúde em debate em Coimbra com foco na orientação dos cidadãos

A capacidade dos cidadãos para navegar no sistema de saúde vai estar em destaque num congresso que decorre segunda e terça-feira, em Coimbra. A iniciativa reúne profissionais e várias entidades para discutir formas de tornar o acesso aos cuidados mais simples e combater os efeitos da baixa literacia em saúde.

Literacia em saúde em debate em Coimbra com foco na orientação dos cidadãos

A literacia em saúde vai estar em debate na segunda e terça-feira no Centro de Congressos da Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra, numa iniciativa centrada na capacidade dos cidadãos para se orientarem e navegarem no sistema de saúde.

O encontro, intitulado “Literacia em Saúde, um Desafio Emergente: Contributos para a Navegabilidade no Sistema de Saúde”, inclui vários painéis dedicados a temas como a acessibilidade do sistema de saúde, a otimização da sua navegabilidade e os custos associados aos baixos níveis de literacia.

Entre os participantes estarão várias personalidades ligadas ao setor da saúde, incluindo a antiga ministra Maria de Belém Roseira e o antigo secretário de Estado da Saúde Fernando Costa Leal.

“Este ano decidimos investir na navegabilidade do sistema de saúde, uma vez que estudos internacionais e nacionais – o último desenvolvido pela Direção-Geral de Saúde – indicam que, na avaliação dos níveis de Literacia em Saúde da população portuguesa, esta é precisamente a dimensão mais problemática”, explicou à Lusa Sérgio Abrunheiro, da comissão organizadora do congresso.

O enfermeiro especialista, que coordena o Grupo de Literacia em Saúde da ULS de Coimbra, destacou as dificuldades sentidas pelos cidadãos em perceber onde devem dirigir-se e em que momento, situação que, considera, está também relacionada com as mudanças significativas ocorridas na organização do sistema de saúde.

“As pessoas muitas vezes não conseguem acompanhar essa mudança e sentem-se perdidas no sistema”, afirmou.

O congresso estará organizado em torno de “dois grandes eixos” de intervenção. Um deles passa pela capacitação dos cidadãos, de forma a melhorar a sua capacidade para aceder, compreender e utilizar informação em saúde.

O segundo dirige-se aos profissionais de saúde, através da capacitação em boas práticas e estratégias de comunicação, procurando tornar mais eficazes os processos de capacitação e envolvimento dos cidadãos.

A primeira jornada do congresso começa na segunda-feira com a apresentação de e-posters e comunicações de projetos. Durante a tarde, o programa terá uma componente mais prática, com duas sessões de trabalho dedicadas ao uso racional do sistema de saúde e aos portais e aplicações que facilitam o acesso aos cuidados.

Na terça-feira, será assinado um compromisso para a Navegabilidade na ULS de Coimbra, que envolve vários parceiros, entre os quais autarquias, escolas, academias, associações de doentes e de cuidadores, a Direção-Geral da Saúde e os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde.

O compromisso integra o projeto “Saúde sem Labirintos”, que pretende melhorar a capacidade de orientação dos cidadãos dentro do sistema de saúde.

Segundo Sérgio Abrunheiro, a concretização deste objetivo depende da participação conjunta das várias entidades envolvidas e do próprio cidadão.

O projeto tem como horizonte temporal 2028, ano em que termina também o mandato do atual conselho de administração da ULS de Coimbra.

LUSA/SO

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