27 Set, 2021

“Problema de décadas”. Taxa de suicídio no Alentejo é o dobro da média nacional

A nível nacional, a taxa de suicídio foi de 22,4 mortes por 100 mil habitantes. No Alentejo, está nas 54,2 mortes.

Enquanto a nível nacional a taxa de suicídio foi de 22,4 mortes por 100 mil habitantes, na região alentejana estes dados situam-se nas 54,2 mortes, mostram os dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística (INE) publicados em 2017. “É o dobro da média nacional”, alertou, ao Jornal de Notícias, a diretora do serviço de psiquiatria do Baixo Alentejo, Ana Matos Pires.

No ano de publicação destes números, foi possível confirmar que ocorreram mil mortes por suicídio em Portugal. De acordo com dados da Direção-Geral da Saúde, estima-se que ocorram, anualmente, cerca de 15 mortes por suicídio por 100 mil habitantes, sendo este fenómeno mais comum entre os homens, sobretudo na região do Alentejo (43,6 óbitos por 100 mil habitantes vs. 17,4 no resto do país).

É também nesta região que patologias associadas à saúde mental, como a depressão, ansiedade e demência também ganham maior expressão. Para justificar estes dados, “o isolamento é certamente importante, mas é na precariedade brutal de recursos humanos que coloco o acento tónico”, diz Ana Matos Pires.

Segundo revela a psiquiatra, “não se resolve um problema de décadas e com esta gravidade com tão escassos recursos”. “Quando aqui cheguei, em 2013, havia um psiquiatra reformado e um outro colega que fazia 16 horas de trabalho por semana. Hoje somos, para todo o território do Baixo Alentejo, quatro psiquiatras e três prestadores de serviço”, acrescenta.

“Num país tão pequeno como o nosso não faz sentido a existência de assimetrias tão grandes na distribuição de recursos humanos”, concorda a psicóloga e representante da Associação Sobre Viver Depois do Suicídio, Sofia Tavares. “A falta de estruturas de apoio médico e psicológico é gritante no Alentejo. A isso soma-se, ainda, a dificuldade de acesso aos serviços e a falta de sensibilização das pessoas”.

Junto destes fatores que podem justificar a propensão para a doença mental na região do Alentejo, é fundamental ter em consideração a taxa de pobreza, consideráveis taxas de alcoolismo, iliteracia, desemprego e envelhecimento. “Há até uma espécie de ‘naturalização’ no suicídio no Alentejo e muitos ‘achismos’, mas do que precisamos mesmo é de instrumentos que nos ajudem a combater esta estratégia”, defendem.

SO

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