11 Mai, 2020

Portugal registou a terceira maior taxa de tuberculose da Europa em 2018

Taxa de mortalidade aumentou 20%. Pior do que Portugal só a Roménia e a Lituânia, diz relatório do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças.

Os dados do ECDC apontam para uma inversão da tendência de descida iniciada em 2015, com uma subida da taxa de notificação, com mais de 20 casos por cem mil habitantes. A taxa da doença em pessoas acima dos 64 anos de idade era 2,5 vezes superior à média europeia e a taxa de mortalidade aumentou 20%, para total de 226 óbitos.

A diretora do Programa Nacional para a Tuberculose, Isabel Carvalho, disse ao JN que este aumento “não é real” e que se deve ao facto de a metodologia usada em 2018 ser diferente da metodologia usada em 2017. Em 2018, Portugal registou uma taxa de notificação de 18 casos por cem mil habitantes. A taxa de incidência foi de 16,6%, contra 16,9% em 2017. A mortalidade passou de 6.9% para 6.4%.

Isabel Carvalho admite que os números observados “não são os desejáveis”, mas frisa que Portugal não é caso único. A diretora diz que “houve uma desaceleração na redução anual de casos”, a nível global, e que o mesmo se deve ao facto de se “achar que a doença está controlada”, levando assim a um “desinvestimento” da doença.

Em 2018, dos 226 óbitos registados, um deles era uma criança. Um menor, proveniente de Angola, que veio para Portugal em janeiro de 2018 e que já apresentava uma “neoplasia (linfoma) e uma tuberculose grave”. Nesse mesmo ano registaram-se 34 casos de tuberculose em crianças até aos seis anos de idade, das quais 35,3% estavam imunizadas.

Este ano não há registo de qualquer caso grave da doença em menores, revela Isabel Carvalho. A Direção-Geral da Saúde tem estado a trabalhar no sentido de se voltar a administrar a BCG em algumas maternidades, logo à nascença, nos menores identificados como de risco.

 

As diferentes metodologias

 

Portugal utiliza duas plataformas de notificação, sendo estas o SINAVE que tem como objetivo a “rápida notificação dos casos suspeitos” e o SVIG-TB, a plataforma de vigilância dos casos de tuberculose ativa. A Direção-Geral da Saúde tem “vindo a otimizar” estas ferramentas de vigilância da tuberculose, um processo que ainda se encontra em evolução, de acordo com Isabel Carvalho.

 

SO/JN

 

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