25 Jun, 2025

Portugal mantém-se líder em vacinação infantil com taxas acima dos 95%

O país continua a ser uma referência internacional no cumprimento do Programa Nacional de Vacinação. O relatório anual de 2024 destaca coberturas vacinais muito elevadas, sobretudo na infância, e a adesão crescente de grupos prioritários como grávidas, adolescentes e idosos.

Portugal mantém-se líder em vacinação infantil com taxas acima dos 95%

Portugal continua a destacar-se internacionalmente na área da vacinação infantil, com uma cobertura vacinal nas crianças que atinge os 98% a 99% no primeiro ano de vida, segundo revela o Relatório Anual 2024 do Programa Nacional de Vacinação (PNV), hoje divulgado pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

Os dados agora apresentados confirmam que as coberturas vacinais mantêm-se muito elevadas até aos seis anos de idade, atingindo ou superando, de forma generalizada, a meta dos 95%, considerada ideal pela Organização Mundial da Saúde para garantir imunidade de grupo.

Durante a primeira campanha de imunização sazonal contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que decorreu entre agosto de 2024 e março de 2025, 86% das crianças nascidas nesse período em Portugal Continental foram vacinadas. Segundo a DGS, esta elevada taxa de vacinação teve um impacto claro: redução substancial dos internamentos por VSR em crianças até aos seis meses de idade, um grupo particularmente vulnerável.

Entre os dados mais positivos do relatório estão também os aumentos nas coberturas vacinais contra o sarampo, papeira e rubéola (VASPR). Aos dois anos, a taxa passou de 98% para 99%, enquanto aos seis anos subiu de 95% para 96%.

A vacinação contra o vírus do papiloma humano (HPV) mantém bons resultados, com as raparigas a superarem os 90% de cobertura vacinal. Nos rapazes, mantém-se a tendência de crescimento progressivo, especialmente no grupo dos 15 anos, que também ultrapassou os 90%, aproximando-se das taxas registadas entre as raparigas.

Relativamente à vacina combinada contra o tétano, difteria, tosse convulsa e poliomielite (DTPaVIP), 93% das crianças de seis anos completaram o esquema recomendado. Já no caso da vacina contra o meningococo do serogrupo B (MenB), a cobertura vacinal foi ainda mais elevada: 97% das crianças de dois anos tinham as três doses completas.

No que respeita à vacinação durante a gravidez, em particular a imunização contra a tosse convulsa, estima-se que 80,4% das grávidas elegíveis em 2024 tenham recebido a vacina Tdpa.

Quanto à segurança das vacinas administradas no âmbito do PNV, em 2024 foram notificados 370 casos de suspeita de reações adversas. Este valor corresponde a uma taxa de 12,8 notificações por 100.000 vacinas administradas, sendo que 215 foram consideradas graves, ou seja, 7,5 casos graves por 100.000 doses. A DGS sublinha, contudo, que a notificação de uma suspeita de reação adversa não estabelece automaticamente uma relação causal com a vacina, sendo cada caso analisado tecnicamente pelo Infarmed.

O relatório de 2024 contabilizou ainda mais de 3 milhões de registos e 246 mil transcrições no sistema informático “Vacinas”. A DGS revela que estão em curso melhorias no sistema de informação com o objetivo de permitir uma caracterização mais precisa das administrações realizadas no âmbito do PNV.

Pela primeira vez, os dados do PNV estão desagregados por município, permitindo uma análise mais granular e identificando assimetrias geográficas que poderão orientar ações estratégicas localizadas. A diretora-geral da Saúde, Rita Sá Machado, sublinha que estes dados locais “tornam visíveis algumas das assimetrias geográficas que constituem potenciais alvos estratégicos para atuação, não só pelas equipas de saúde, mas também pela sociedade civil.”

Paralelamente, foi também divulgado o Relatório da Campanha de Vacinação Sazonal outono-inverno 2024-2025, que atingiu quase 4 milhões de vacinas administradas, entre unidades do Serviço Nacional de Saúde e farmácias comunitárias. Esta campanha incluiu, pela primeira vez, a vacina de dose elevada contra a gripe para pessoas com 85 anos ou mais, com coberturas vacinais muito elevadas neste grupo.

Já as coberturas mínimas foram observadas na população entre os 60 e 64 anos, tanto para a vacinação contra a gripe como para a COVID-19.

SO/Lusa 

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