26 Jun, 2025

Paulo Filipe demite-se da presidência da SPDV

Após a sua demissão de diretor da Unidade de Dermatologia do Hospital de Santa Maria, Paulo Filipe deixa também a presidência da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia (SPDV). No entanto, já tem emprego assegurado.

Paulo Filipe demite-se da presidência da SPDV

Na sequência da sua demissão das funções de diretor da Unidade de Dermatologia do Hospital de Santa Maria (HSM), impulsionada pelos resultados preliminares das auditorias internas ordenadas pelo Conselho de Administração, (relativas a cirurgias adicionais realizadas naquela unidade), Paulo Filipe apresentou também a sua demissão do cargo de presidente da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia (SPDV).

As auditorias, resultado de reportagens da TVI/CNN que denunciaram práticas financeiras abusivas naquela unidade dermatológica, vieram tentar averiguar a existência de cirurgias realizadas em horário extra aos fins de semana, de modo a reduzir listas de espera. Estas cirurgias, chamadas adicionais, eram aproveitadas para que vários médicos pudessem faturar milhares de euros.

Esta terça-feira, foi publicado um despacho no Diário da República, afirmando que Paulo Filipe está autorizado a ser contratado, com exclusividade, a ser contratado como professor catedrático na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. O ex-diretor da SPDV tinha concorrido a um lugar catedrático, e foi um dos dois selecionados para o cargo (informação que se soube a 16 de junho).

Miguel Alpalhão, médico que chegou a faturar 51 mil euros num sábado, garantiu, em entrevista ao Expresso, que todas as intervenções realizadas obedeceram às normas estabelecidas pelas instâncias superiores (no caso, Paulo Filipe).

Rita Travassos também registou inúmeras cirurgias em seu nome, enquanto estava no estrangeiro. As cirurgias, que eram realizadas por internos em seu nome, permitiram que a médica ganhasse 113 mil euros em apenas 7 sábados.

Em entrevista à TVI, um dermatologista do HSM (que pediu o anonimato), caracterizou a Dermatologia do hospital uma “anarquia completa”, e afirma que o “serviço está ao abandono”. O especialista afirma ainda que, apesar dos valores “obscenos” pagos pelos utentes submetidos a estas cirurgias, os procedimentos realizados são pouco complexos.

A ministra da saúde, Ana Paula Martins, que ocupou a posição de administradora da ULS Santa Maria, também já foi questionada sobre o caso: afirma que em todo o seu período como administradora do hospital “nunca recebeu reportes de desvios ou anomalias”sobre o sistema Integrado de Inscritos e Cirurgia.  O Governo afirma ainda que pretende reduzir os tempos de espera e alterar os graus de prioridade para apenas dois- urgente e normal- em contraste com os quatro atualmente existentes.

SO

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