10 Fev, 2022

Pandemia reduziu em mais de 27% admissão de doentes por síndrome coronária aguda

Grande parte destes doentes não foram ao hospital “por medo de serem contaminados” pelo SARS-CoV-2, sugerem os especialistas.

A pandemia fez reduzir em mais de 27% as admissões de doentes nos hospitais por síndrome coronária aguda (SCA) e os procedimentos de angioplastia coronária primária (PPCI), para tratar o enfarte, segundo um estudo que será apresentado na próxima sexta-feira num encontro promovido pela Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC).

O trabalho procurou avaliar o impacto da pandemia nas admissões de doentes com SCA e PPCI em 17 países de vários continentes que participam da iniciativa global Stent-Save a Life (SSL), entre os quais Portugal, explicou um dos autores do estudo, Helder Pereira.

De acordo com este autor, logo no período inicial da pandemia verificou-se uma redução dos doentes que chegava ao hospital com enfarte do miocárdio, concluindo o trabalho que, em quase todos os países analisados, houve uma redução de cerca de 27,5% nos doentes admitidos nos hospitais por SCA.

Apesar de não se conseguir identificar exatamente todos os motivos, grande parte destes doentes não foram ao hospital “por medo de serem contaminados” pelo vírus que provoca a covid-19. “A isso juntou-se também o facto de haver a mensagem para as pessoas ficarem em casa” afirmou o responsável, lembrando que, na altura, a SPC promoveu campanhas para informar os doentes de que era seguro ir ao hospital.

Helder Pereira admitiu, ainda, que os doentes que ficaram em casa podem ter tido maior morbilidade e comorbilidade do que aqueles que foram ao hospital atempadamente e não atrasaram a intervenção médica, sendo fundamental reforçar que além dos efeitos diretos da covid-19 no sistema cardiovascular, a pandemia também pode ter aumentado a mortalidade, ao atrasar a ida aos hospitais e pela redução de internamentos.

O estudo sublinha também a importância de os países envolvidos na iniciativa Stent-Save a Life chamarem a atenção para as necessidades dos pacientes com SCA e enfarte do miocárdio, desenvolvendo campanhas de sensibilização para que o público reconheça os sintomas e atue rapidamente.

A iniciativa global Stent-Save a Life, promovida em Portugal pela Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC), pretende consciencializar a população para os sinais e sintomas do enfarte agudo do miocárdio e para a importância do seu diagnóstico atempado e tratamento precoce.

LUSA

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