17 Abr, 2017

Pais que não vacinam os filhos deviam ser acusados de “morte por negligência”

Para o pediatra Mário Cordeiro, os pais que não vacinam os filhos, deviam ser responsabilizados pelas consequências dos seus atos, apesar de reconhecer que é difícil instituir a obrigação de vacinar

O pediatra Mário Cordeiro lamenta a negligência dos pais que não vacinam os seus filhos.

“Se morrer alguma criança não vacinada porque os pais não quiseram, não será isso passível de acusação de ‘morte por negligência, como seria se morresse por andar de carro sem cadeirinha ou cinto de segurança?”, questiona Mário Cordeiro, pediatra, em declarações à agência Lusa.

O Programa Nacional de Vacinação constitui uma recomendação das autoridades de saúde, mas as vacinas não são obrigatórias. O surto de sarampo que atinge neste momento a Europa tem sido relacionado com casos de pessoas que não querem vacinar os filhos.

Mário Cordeiro chegou a fazer parte de um grupo de trabalho que na Direção-Geral da Saúde estudou a possibilidade de tornar obrigatórias as vacinas, chegando à conclusão de que não é possível porque qualquer obrigatoriedade exige apuramento de responsabilidades, uma situação complexa, pois implica coimas ou equivalentes, que iriam penalizar os mais desfavorecidos ou menos abrangidos pela informação.

Para Mário Cordeiro, a solução não passa por tornar obrigatório, mas antes por ser mais incisivo em “desmontar as enormidades e falsidade que se dizem e propagam pelas redes sociais contra as vacinas”.

“Dizer mal das vacinas é um luxo de um país que já não tem, como há bem pouco tempo tinha, casos diários de meningite ou mortes por sarampo, como [aconteceu] em 1994. A memória é demasiado curta e a arrogância demasiado grande”, declarou.

Segundo o pediatra, o fenómeno de pais que não querem vacinar os seus filhos deve-se a uma mistura de mal-entendidos e teorias da conspiração associados a uma ignorância história e fraca memória.