15 Mai, 2019

Os benefícios de curar a Hepatite C

Carla Treloar, diretora do Centre for Social Research in Health and the Social Policy Research Centre da Universidade de New South Wales, na Austrália, abordou outros impactos que vão além da resposta virológica sustentada ou da cura.

Para esta especialista, as implicações de uma resposta virológica sustentada ultrapassam a eliminação de uma infeção viral. “Estamos a falar em melhorar os resultados clínicos a longo prazo, em melhorar a qualidade de vida e até em benefícios económicos”, disse na sua apresentação.

No que diz respeito à qualidade de vida, a docente universitária referiu o facto de muitas vezes os estudos definirem esta “qualidade de vida” não tendo propriamente em conta o significado ou a perspetiva das pessoas que injetam drogas. “Normalmente são pessoas que estão resignadas ao silêncio e a serem recetores passivos de cuidados de saúde com medo de perderem o acesso. São pessoas sem voz e com baixas expectativas na qualidade dos cuidados”.

Citando estudos em coautoria com outros profissionais e especialistas, nomeadamente Annie Mandde, Max Hopwood, Jo Neale, Elena Cama, Loren Brener, Tim Broady e John de Wit, Carla Treloar apresentou diversos testemunhos de participantes nos estudos que deram a sua visão no que diz respeito a temáticas como a cura, o dia-a-dia, a identidade, a atitude perante a vida e também os efeitos na saúde.

 

 

“Não tem propriamente a ver com ficar saudável. Tem a ver com prevenção… Para mim, é mais uma medida preventiva do que ficar saudável. Espero que, ao fazer o tratamento, a minha saúde no futuro melhore, em oposição a ficar saudável agora”, testemunhou uma paciente, mulher, de 58 anos, citada por Jason Grebely. Um outro testemunho, agora de uma jovem mulher com 18 anos de idade, referiu: “Não mudou muito a minha vida porque eu não tive realmente qualquer sintoma. A maior mudança que senti foi emocional. Passamos a ser uma pessoa com uma doença crónica que tem o potencial de cortar a esperança de vida”.

A complexidade de vida, muitas vezes associada aos portadores de vírus de Hepatite C, é uma realidade. Carla Treloar referiu dificuldades económicas, doenças mentais, dependência e abuso de drogas para além de relações pessoais complicadas, tudo isto envolto num estigma social.

A especialista defendeu a necessidade de se expandirem os cuidados para além do vírus. Ou seja, usar os cuidados que visam o tratamento da Hepatite C junto da comunidade como uma infraestrutura ‘core’ para outras iniciativas de saúde, como a cessação tabágica, a prevenção de cancro ou outros cuidados de saúde muito prevalentes nesta população, como os hepáticos.

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