“Este é um dos muitos avanços de que vamos precisar para combater a covid-19”, afirmou o diretor executivo do programa de emergências sanitárias da organização, Michael Ryan, em conferência de imprensa virtual a partir da sede da OMS, em Genebra.

Questionado se o medicamento poderá ser usado em testes mais alargados em doentes com casos graves da doença provocada pelo novo coronavírus, Ryan respondeu que “ainda não é altura de alterar as práticas clínicas”, frisando que é preciso treinar o pessoal médico na utilização do medicamento, que revelou efeitos positivos em doentes que tiveram que ser colocados a oxigénio ou com ventilação pulmonar.

O epidemiologista irlandês notou que a dexametasona intervém nas manifestações pulmonares da covid-19, ajudando doentes com dificuldades extremas em respirar, e que não é um medicamento antiviral.

“Este é uma droga anti-inflamatória muito potente. Pode auxiliar doentes em estado muito grave, cujos pulmões e sistema cardiovascular estejam muito inflamados, possibilitando que o seu sangue seja oxigenado a partir dos pulmões num período crítico, reduzindo a inflamação”, explicou.

 

“Não é um tratamento para o vírus propriamente dito”

 

Os esteroides como a dexametasona podem, aliás, “facilitar a divisão e replicação dos vírus no corpo humano”, alertou.

Michael Ryan considerou que há razões para celebrar “uma intervenção que pode salvar vidas”, mas ressalvou que ainda só existem “dados preliminares de apenas um estudo” e que é preciso ver “dados completos” publicados num boletim científico reconhecido, o que deverá acontecer dentro de alguns dias.

Para já, a dexametasona é um medicamento cujo uso deve ser reservado para “pessoas gravemente doentes, em estado crítico e “sob vigilância clínica estrita”, destacou.

É preciso “compreender que doses devem ser usadas, como será feita a avaliação clínica dos pacientes, garantir que há medicamento suficiente e muitas outras coisas”, acrescentou.

SO/LUSA

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