8 Nov, 2021

Médicos suspendem greve marcada para 23, 24 e 25 de novembro

SIM e FNAM decidiram suspender a paralisação devido à dissolução do Parlamento. No entanto, mantêm as reivindicações feitas até agora.

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) e a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) decidiram suspender a greve marcada para 23, 24 e 25 de novembro na sequência da não aprovação do Orçamento do Estado e da decisão do Presidente da República em dissolver o parlamento.

A decisão foi tomada, no sábado, em reunião do Conselho Nacional do SIM, órgão máximo entre Congressos e, paralelamente, pelo Conselho Nacional da FNAM.

Em declarações à agência Lusa, o secretário-geral do SIM explicou que na reunião do Conselho Nacional foi aceite por unanimidade a proposta feita pelo Secretariado Nacional de suspender o anúncio da greve. Apesar do anúncio de suspensão, adiantou, os motivos que levaram a anunciar uma greve mantêm-se, referindo que o Governo demonstrou uma incapacidade em falar com os sindicatos.

“A partir do momento em que o Presidente da República decide dissolver a Assembleia da República do nosso ponto de vista não se justifica esta greve que é sempre muito desagradável convocar porque a situação é mesmo a última forma de luta que tem os nossos associados”, disse.

Roque da Cunha destacou como motivos para um protesto a falta de investimento no Serviço Nacional de Saúde, a existência de uma grelha salarial onde um especialista recebe 1.900 euros com 40 horas ou 1.200 euros com 35 horas, o número elevado de rescisões e a diminuição das contratações, o não investimento em equipamentos e a degradação das condições de trabalho.

O dirigente sindical questionou ainda que sejam gastos 140 milhões euros em empresas de prestação de serviços em vez de serem contratados médicos para o SNS e acusou o Governo de não reconhecer o trabalho dos médicos apesar das mais de oito milhões de horas extraordinárias feitas em 2020.

O SIM defende também um programa de emergência para mitigar os problemas causados pela pandemia na sequência da canalização de todos os meios para o seu combate sem que tenham sido feitas outras contratações.

Ainda hoje mais de mil médicos de família estão a fazer atividades fora do âmbito do acompanhamento dos seus doentes nos Centros de Saúde como o acompanhamento dos doentes infetados por telefone, nas áreas dedicadas aos problemas respiratórios e ainda no processo de vacinação onde não contratam médicos especificamente para essa matéria”, disse considerando que esta situação cria problemas no acompanhamento dos hipertensos, diabéticos e nos rastreios.

FNAM diz que condições laborais dos médicos são “problema de resolução urgente”

 

Já a FNAM sublinha que “a degradação das condições do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e das condições laborais dos médicos mantém-se como um problema grave e com necessidade de resolução urgente”. A organização assume, desde já, que exigirá uma negociação do seu caderno reivindicativo a qualquer Governo que venha a resultar das próximas eleições, com caráter urgente, e ressalva que não hesitará em retomar, em qualquer momento, as medidas de luta que se venham a revelar necessárias.

“A situação a que chegou o SNS e o nível a que estão a ser sujeitos em termos de condições de trabalho os médicos são insustentáveis, sendo que as propostas em relação ao Orçamento do Estado para os médicos e SNS são de tal modo insuficientes que mal merecem a nossa consideração”, disse na altura aos jornalistas o presidente da FNAM, Noel Carrilho, no final de uma reunião dos dois sindicatos em Coimbra.

SO/LUSA

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