15 Fev, 2022

Médicos acusam bastonário de tratar de forma “depreciativa” pedido de suspensão de vacinação de crianças

Miguel Guimarães insiste que a Ordem fala apenas a uma voz. Bastonário “violou os deveres de representação profissional e de ética”, acusa um grupo de médicos.

Um grupo de 25 médicos acusou o bastonário da Ordem dos Médicos (OM) de ter tratado de forma “depreciativa” o pedido de quase cem profissionais que assinaram uma carta aberta que pedia a suspensão da vacinação das crianças contra a covid-19, avança o jornal Público.

Tendo em consideração que o presidente do Colégio de Pediatria da OM, Jorge Amil Dias, foi alvo de uma queixa apresentada por pares após declarações divergentes às da OM no que diz respeito à vacinação das crianças, vários profissionais de saúde reuniram-se para assinar uma carta que reforça a opinião do pediatra: a suspensão da vacinação das faixas etárias mais novas que não sofram de doenças associadas.

Para os signatários da carta aberta enviada às autoridades de saúde competentes, ao primeiro-ministro e ao Presidente da República, a decisão de suspensão da administração das vacinas deve ser tomada como “medida de precaução” até que haja evidência científica que demonstre, “de forma robusta e inequívoca, a necessidade, o benefício e a segurança desta vacinação, com medicamentos ainda em estudo”.

Neste âmbito, o bastonário Miguel Guimarães não concordou que Amil Dias apresentasse “posições públicas diferentes da instituição”. Segundo disse à CNN Portugal, “não são duas vozes, é só uma, pois o doutor Jorge Amil Dias não fala em nome da Ordem”, situação que “tem de acabar”.

Perante estas declarações, os profissionais que subscreveram este apelo criticam com a forma como o Miguel Guimarães recebeu esta iniciativa. “A forma como o digníssimo bastonário a eles se referiu nas suas intervenções e comunicados públicos foi depreciativa e violou os deveres de representação profissional e de ética no relacionamento e referência pública”, defendem os médicos.

No mesmo documento, os profissionais de saúde afirmam que “tratar colegas dignos e competentes com desprimor e acusá-los sumariamente de falta de rigor, é grave violação da dignidade que se espera do bastonário da OM”. “Por todas estas razões, os signatários apelam a todos os órgãos nacionais da OM que avaliem os factos recentes e incentivem a que todos os médicos sejam devidamente respeitados em declarações públicas em nome da Ordem que a todos deve orgulhar”, concluem.

SO

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