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Medicina e Compaixão

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Os avanços da Medicina, desde a publicação do primeiro grande tratado de medicina, em 1892, por Sir William Osler, foram extraordinários. Os progressos em termos de prevenção, diagnóstico e tratamento das doenças aumentaram largamente a esperança de vida das populações. As vacinas, rastreios, análises, testes genéticos, imagens, antibióticos, citostáticos e antirretrovirais são alguns dos exemplos dos tais avanços. Contudo, muito se discute sobre este aumento do tempo de vida e do nível de qualidade em que se vive. Viver mais tempo mas sem qualidade, será que faz sentido? Numa era de uma Medicina cada vez mais tecnológica e digital, chegou o momento dos profissionais de saúde ouvirem mais e melhor os seus doentes. Seguramente a compaixão será uma arma importante para aqueles que querem abraçar as inovações tecnológicas sem ficarem atordoados por elas.

Muitos alunos de Medicina, quando interrogados sobre os motivos da escolha de profissão, evocavam os conceitos de vocação e a vontade de ajudar o próximo. Infelizmente, os princípios básicos da cultura hipocrática da solidariedade e altruísmo são por vezes difíceis de realizar num mundo tão técnico-científico. A pressão do tempo e dos resultados leva a que se realizem “consultas a metro” em que o médico tem pouco tempo para criar uma boa relação com o seu doente. A Medicina tornou-se, nalguns casos, algo impessoal em que o doente é apenas uma imagem, perdendo a sua dimensão humana. Na origem da Medicina, quando o nosso conhecimento era limitado ou por vezes ausente, muitas vezes não se podia oferecer uma cura nem uma intervenção e o acto médico limitava-se a gestos de compaixão ao cuidar e a confortar o doente. Tudo se simplifica nas palavras do professor de Harvard Dr. Francis Weld Peabody, “The secret of the care of the patient is in caring for the patient”.

A empatia e a compaixão não são sinónimos. A empatia refere-se mais genericamente à nossa capacidade de compreender e sentir as emoções do próximo enquanto a compaixão é quando esses sentimentos e pensamentos incluem o desejo de ajudar.  A evidência científica da importância da compaixão nos cuidados de saúde é inegável e mensurável. O livro “Compassionomics: The Revolutionary Scientific Evidence That Caring Makes a Difference,” da dupla Stephen Trzeciak e Anthony Mazzarelli, fornece clara evidência do poder curativo da compaixão.

O psicólogo norte-americano Carl Rogers descreveu três elementos fundamentais para uma boa relação médico-doente: empatia, honestidade e sinceridade.  Gestos tão simples como ouvir com interesse, olhar nos olhos em vez de estar sempre a ver o ecrã do computador e dar a mão, podem ser uma base fulcral na relação médico-doente. Os doentes abordados com compaixão aderem melhor aos tratamentos, recuperam mais depressa das suas queixas e recorrem menos vezes aos hospitais. Uma prática médica mais centrada no doente, em que o próprio participa ativamente nos seus cuidados, traz não só benefícios para o doente, mas também para o médico que se sente mais realizado no seu trabalho.

A Clínica Mayo realizou vários estudos que demonstraram a importância da compaixão. Um estudo de 2018 revelou que numa primeira consulta, em que os doentes estão a descrever as suas queixas, estes eram interrompidos pelos médicos ao fim de 11 segundos. No entanto, estudos indicam que a maioria dos doentes apenas necessita em média de 29 segundos para corretamente descrever as suas queixas. Não deverá ser difícil dar mais 18 segundos para promover uma melhor relação com o doente. Noutro estudo englobando 7.905 cirurgiões norte-americanos, investigadores descobriram que ao longo de um período de três meses, a proporção de cirurgiões que cometia um erro cirúrgico grave era três vezes superior naqueles com níveis mais elevados de despersonalização.

No século XXI, talvez um dos maiores desafios dos profissionais de saúde será regressar às origens. Ouvir melhor os seus doentes e criar uma boa relação através de empatia e compaixão. Os doentes devem ser parceiros na melhoria e desenvolvimento dos cuidados de saúde e os médicos ainda têm muito para aprender com eles. O lema do Royal College of General Practitioners, “Cum Scientia Caritas” – compaixão com conhecimento – deverá ser o mote universal de todos os médicos.

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