15 Jun, 2022

Mais de metade dos ginecologistas e obstetras trabalha fora do SNS

Em Portugal, diz a OM, não há falta de ginecologistas e obstetras em número absoluto mas sim carência nos hospitais públicos, que não conseguem atrair os especialistas.

Mais de metade dos especialistas em Ginecologia e Obstetrícia trabalha fora do Serviço Nacional de Saúde. Segundo dados atualizados esta terça-feira pela Ordem dos Médicos (OM), referentes a 2022, dos 1871 médicos inscritos, apenas 897 trabalham no SNS (cerca de 48%).

Ainda assim, registou-se um aumento dos especialistas no SNS desde o final do ano passado. A 31 de dezembro de 2021, segundo dados avançados pelo bastonário da OM, em entrevista ao SaúdeOnline, dos cerca de 1600 especialistas inscritos na OM, apenas 750 trabalhavam no setor público (cerca de 47%).

Em Portugal, diz a OM, não há falta de médicos desta especialidade em número absoluto mas sim carência nos hospitais públicos. Carência essa que é agravada por outros três importantes fatores. Um é a idade avançada dos especialistas do SNS. Quase metade têm idade igual a superior a 55 anos, estando, assim, dispensados de fazer urgência – no entanto, segundo o presidente do colégio de ginecologia-obstetrícia da OM, João Bernardes, a maior parte destes médicos continua a trabalhar nas urgências.

Outro fator é o desequilíbrio etário na especialidade e as grandes assimetrias regionais na disponibilidade de médicos, com os distritos do interior a registarem maiores carências e a enfrentarem maiores dificuldades para manter as urgência de obstetrícia abertas.

O terceiro é o facto de muitos dos especialistas que ainda estão no SNS não trabalharem no regime de horário completo de 40 horas semanais, o que obriga as unidades a recorrer a médicos prestadores de serviços (que chegam a receber, à hora, cinco vezes mais que os do quadro).

Em Portugal, formam-se, todos os anos, 45 médicos desta especialidade. “Precisávamos que pelo menos 30 a 35 ficassem no SNS”, diz João Bernardes, ao jornal Público. A questão é o que número de vagas desta especialidade por ocupar nos concursos tem vindo a crescer de ano para ano, um sinal de falta de capacidade de atração do SNS, que vê os especialistas ingressarem no setor privado ou até emigrarem. “Os vencimentos que oferecem aos médicos no Reino Unido, na Alemanha ou mesmo em Espanha são muito superiores aos que se oferecem a Portugal, na ordem de três a quatro vezes mais”, referiu Miguel Guimarães, ao SaúdeOnline.

Assim, entre 2023 e 2035 deverão aposentar-se mais de 350 especialistas nesta área de Ginecologia-Obstetrícia. Ao mesmo tempo, formar-se-ão 540 jovens especialistas, segundo contas da própria OM. O desafio é assegurar que a maioria fica a exercer no SNS.

SO

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