9 Abr, 2019

Mais de 47 dias de trabalho perdido após um problema cardíaco

Recentemente realizou-se uma investigação sobre o impacto das doenças cardiovasculares na produtividade dos doentes e dos cuidadores, bem como dos custos associados.

Recentemente realizou-se uma investigação sobre o impacto que as doenças cardiovasculares – o enfarte agudo do miocárdio (Enfarte), episódio de síndrome coronária aguda (SCA) e do acidente vascular cerebral (AVC) – têm na produtividade dos doentes e dos cuidadores, bem como nos custos associados à paragem no trabalho devido a este acontecimento.

A conclusão foi surpreendente: os sobreviventes a um Enfarte que regressaram ao trabalho durante o primeiro ano em que decorreu o incidente perderam cerca de 25% do tempo laboral, valor este traduzido em 47 dias de trabalho. Os cuidadores – que dão apoio aos doentes quando estes não conseguem desempenhar determinada tarefa de forma independente- não ficam de fora das estatísticas, e também eles foram penalizados em 5% do seu tempo de trabalho anual.

O estudo publicado no European Journal of Preventive Cardiology, uma revista da Sociedade Europeia de Cardiologia, esclarece ainda que mais de 73% do tempo de trabalho perdido pelo doentes decorreu da hospitalização e baixa médica após um episódio cardiovascular. A produtividade dos doentes também foi afetada após o regresso ao trabalho: os doentes com SCA e Enfarte perderam, em média, dois a sete dias de trabalho, respetivamente, devido ao presenteísmo – condição que decorre quando uma pessoa está presente no trabalho mas não consegue executar na plenitude as suas funções devido ao seu estado de saúde. Os custos indiretos consistiram em 6.641€ para SCA e de 10.725 € para o Enfarte, valores equivalentes aos custos médicos diretos.

“As perdas de produtividade associadas aos eventos cardiovasculares são substanciais e vão para além do doente. Este estudo demostra que o custo financeiro total de um ataque cardíaco ou de um acidente vascular cerebral pode ser o dobro dos custos médicos diretos, quando os custos indiretos decorrentes do tempo de trabalho perdido pelos doentes e cuidadores informais é tido em conta. Os esforços contínuos na abordagem aos fatores de risco cardiovascular modificáveis, incluindo a otimização do uso de terapêuticas antidislipidémicas, facultarão um efeito benéfico na saúde e longevidade da população e simultaneamente uma diminuição da carga económica associada”, explica a Professora Dra. Catarina Fonseca, do Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

Para obter estes dados e conclusões, foi realizado um questionário a 394 pessoas de 7 países diferentes da União Europeia, 196 das quais tinha tido um episódio de SCA e as restantes 198 um de Enfarte do miocárdio. Em Portugal, a amostra foi de 70 pacientes, 39 dos quais com SCA (síndrome coronária aguda) e 31 com enfarte. A população objeto de estudo regressou ao trabalham entre 3 a 12 meses após a manifestação da doença cardiovascular.

Podemos ler no relatório que, em Portugal, o número de dias de trabalho perdidos devido à duração do internamento e baixa médica são superiores em relação à média dos países europeus, onde se regista 60% de dias de trabalho perdidos, contrastando com os 73% que se fazem sentir, literalmente, em Portugal.

Contudo, nem todos os resultados são maus:

“A produtividade perdida após o regresso ao trabalho devido às ausências de curto-prazo e ao presenteísmo é inferior à média Europeia”.

Erica Quaresma

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