23 Dez, 2025

Maioria das primeiras consultas de inseminação artificial no SNS excede tempo de espera previsto

Um estudo da Entidade Reguladora da Saúde revela que, em 2024, duas em cada três primeiras consultas para inseminação artificial intrauterina no Serviço Nacional de Saúde ultrapassaram o tempo máximo de espera garantido, apesar de este ter diminuído para uma mediana de 142 dias.

Maioria das primeiras consultas de inseminação artificial no SNS excede tempo de espera previsto

Segundo a Entidade Reguladora da Saúde (ERS), as técnicas de segunda linha, como a fecundação in vitro (FIV) e a injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI), apresentam tempos de espera ainda mais longos, superiores a um ano, refletindo a maior complexidade destes procedimentos.

O regulador destaca que apenas foi possível aferir o tempo de espera para uma amostra reduzida de utentes (23,7%), devido a limitações nos sistemas informáticos das unidades hospitalares. Entre os centros públicos de Procriação Medicamente Assistida (PMA), nove estavam autorizados a realizar técnicas de primeira linha em 2024, comparados com 17 privados. Algumas regiões, como Oeste, Vale do Tejo e Alentejo, não tinham oferta pública nem privada, enquanto o Norte concentrava o maior número de centros.

A ERS registou um aumento de 20,5% nas primeiras consultas no Serviço Nacional de Saúde (SNS), com 68,5% das consultas a excederem o tempo máximo de resposta garantido, uma melhoria de 13,5 pontos percentuais relativamente a 2023. Contudo, cerca de 43% dos utentes em lista de espera já tinham ultrapassado o tempo máximo recomendado.

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O estudo indica ainda que o número de técnicas de primeira linha aumentou nos centros públicos, apesar de uma diminuição das inseminações artificiais intrauterinas ao longo dos últimos quatro anos. Nos centros privados, o crescimento concentrou-se na FIV/ICSI, com destaque para a Grande Lisboa, responsável por 54,1% da atividade privada de PMA.

A ERS sublinha a necessidade de investimento urgente em recursos humanos, infraestruturas, equipamentos e sistemas de informação, considerando fundamental reforçar a capacidade do SNS para dar resposta à procura crescente de tratamentos de procriação medicamente assistida.

LUSA/SO

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