25 Jan, 2021,

Investigador alerta para novas mutações do SARS-CoV-2

O investigador brasileiro Felipe Naveca, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na Amazónia, alertou que o novo coronavírus continuará a evoluir se não existir controlo das contaminações, que facilitam novas estirpes mais infeciosas.

“Quando deixamos o vírus circulando livremente com muitos casos acontecendo, você deixa o vírus evoluir mais, você tem mais chance de o vírus continuar evoluindo”, disse o investigador Naveca à Lusa, relativamente ao surgimento de novas mutações do SARS-CoV-2.

Segundo o microbiologista, que coordenou o sequenciamento genético de uma nova estirpe do SARS-CoV-2 na região amazónica, chamada B.1.1.28 (K417N / E484K / N501Y), que apresenta as mesmas características de mutações mais infeciosas registadas no Reino Unidos e na África do Sul, é urgente conter a transmissão da covid-19.

“Nós tínhamos sequenciado [as estirpes do novo coronavírus] até novembro e esta nova variante [estirpe] da Amazónia não tinha aparecido (…) Quando os cientistas japoneses alertaram em 10 de dezembro, comparamos as sequências [genéticas do vírus] deles com as nossas e conseguimos estabelecer que a variante tem origem no Amazonas só que o ancestral [do vírus] que tínhamos sequenciado era muito distante”, explicou.

“A diferença da variante que nós conhecíamos para esta variante nova é muito grande. Em algum momento aconteceu uma aceleração da evolução do vírus que não conseguimos identificar exatamente”, completou.

Naveca explicou que os pesquisadores da Fiocruz adiantaram um sequenciamento de amostras colhidas de pacientes infetados em dezembro quando suspeitaram de um caso de reinfeção.

“Ela [estirpe amazónica] só apareceu de facto nas amostras que sequenciamos em dezembro. Também foi confirmada a reinfeção provocada pela nova estirpe e, por isto, disparamos um alerta nacional”, contou o cientista.

A Fiocruz confirmou na semana passada que foi identificada uma variante do vírus numa mulher de 29 anos, com sintomas leves da doença que foi diagnosticada com covid-19 pela primeira vez, em 24 de março e, em 30 de dezembro, obteve o segundo diagnóstico positivo para a doença num teste RT-PCR.

Na última quinta-feira, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) divulgou uma investigação que reafirma a necessidade de controlar a disseminação salientando que “os vírus mudam, constantemente, por mutação e as variações no vírus SARS-CoV-2, devido a processos de evolução e adaptação, têm sido observadas em todo o mundo”.

“Embora a maioria das mutações emergentes não tenham um impacto significativo na disseminação do vírus, algumas mutações ou combinações de mutações podem fornecer ao vírus uma vantagem seletiva, como maior transmissibilidade ou capacidade de evadir a resposta imune do hospedeiro”, acrescentou o órgão europeu que indicou a variante brasileira entre as estirpes que causam preocupação.

 

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