Internistas defendem novo modelo hospitalar para aliviar pressão sobre o SNS
Os médicos internistas defendem uma reorganização profunda do modelo hospitalar, com liderança clínica da Medicina Interna e responsabilidade partilhada por todas as especialidades, para responder à pressão crescente sobre urgências e internamentos no SNS.

Os médicos internistas propõem uma reformulação estrutural do modelo hospitalar, defendendo uma liderança clínica clara da Medicina Interna, com envolvimento corresponsável de todas as especialidades, como resposta à crescente pressão sobre os serviços do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Numa carta enviada à ministra da Saúde, ao diretor executivo do SNS e ao bastonário da Ordem dos Médicos, divulgada, o presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), Luís Duarte Costa, manifesta “profunda preocupação” com o atual modelo de gestão clínica hospitalar.
A SPMI alerta que a pressão “crescente e sustentada” sobre os serviços de urgência e de internamento médico constitui um dos maiores desafios dos hospitais portugueses, num contexto marcado por doentes com patologia aguda, multimorbilidade, fragilidade e complexidade social.
Segundo a sociedade científica, a Medicina Interna é o principal pilar assistencial dos hospitais do SNS, assegurando a maioria dos episódios de urgência e internamento. No entanto, o atual modelo de governação clínica revela sinais de exaustão, com impacto direto na eficiência assistencial e no bem-estar dos profissionais.
Perante este cenário, a SPMI elaborou o documento “Reforma Hospitalar”, onde identifica fragilidades da atual organização, propõe soluções estruturantes para a reorganização dos serviços e defende a valorização da polivalência e centralidade do internista no percurso do doente.
Os internistas consideram que o momento atual deve ser encarado como uma oportunidade para redefinir o modelo hospitalar, assente numa resposta integrada, sob liderança clínica da Medicina Interna, mas com participação ativa de toda a organização hospitalar.
Entre os princípios defendidos estão o reconhecimento formal da Medicina Interna como especialidade líder do internamento médico e gestora do doente complexo, bem como a assunção institucional de que a resposta ao doente médico é uma responsabilidade de todo o hospital, e não de uma única especialidade.
A SPMI propõe ainda modelos organizativos integrados, autoridade clínica proporcional às responsabilidades exercidas e uma valorização profissional e formativa da Medicina Interna, considerada essencial para garantir renovação geracional e sustentabilidade futura.
Na carta, Luís Duarte Costa pede uma reunião com a ministra da Saúde para apresentar as propostas, sublinhando que a sua implementação é “vital para garantir a sustentabilidade do SNS e a qualidade dos cuidados prestados”.
Para os internistas, a pressão nas urgências é apenas a face mais visível de um problema estrutural transversal a todo o hospital, alertando que continuar a concentrar a resposta numa única especialidade representa um risco para a qualidade dos cuidados, a segurança dos doentes e a sustentabilidade do sistema.
A SPMI defende que o momento exige uma resposta “institucional, integrada e orientada para o futuro”, sublinhando que a crise no SNS “não pode continuar a ser apenas gerida, mas enfrentada e transformada”.
LUSA/SO
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