CEO do Lusíadas Saúde defende centralização de serviços para reforçar eficiência do SNS
O presidente executivo do Grupo Lusíadas Saúde considera que a centralização de serviços e a otimização de processos são medidas essenciais para aumentar a eficiência, a resiliência e a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde, defendendo uma gestão menos condicionada por fatores políticos.

O presidente executivo (CEO) do Grupo Lusíadas Saúde, Vasco Antunes Pereira, defendeu a centralização de serviços e a otimização de processos no Serviço Nacional de Saúde (SNS), considerando que estas medidas são fundamentais para reforçar a eficiência, a capacidade de resposta e a sustentabilidade do sistema.
Em entrevista à agência Lusa, o gestor afirmou que uma reforma estrutural do SNS exigiria alterações ao modelo regulatório do serviço público. No entanto, defendeu que, mesmo sem essa mudança, há medidas que poderiam ser implementadas com maior rapidez, apontando a centralização de serviços como uma das principais prioridades.
Segundo Vasco Antunes Pereira, esta estratégia permitiria ganhar eficiência, reforçar a resiliência do sistema, aumentar a capacidade de resposta e reduzir situações de maior pressão sobre o SNS, reconhecendo, contudo, que o serviço enfrenta atualmente desafios significativos.
O responsável considerou ainda que, com as adaptações necessárias, a concentração de serviços poderia gerar ganhos relevantes de eficiência, com reflexos também ao nível da despesa pública.
Tendo em conta a dimensão do SNS, cujo orçamento ronda os 17 mil milhões de euros, defendeu que mesmo pequenas melhorias de eficiência podem traduzir-se num impacto financeiro significativo.
Vasco Antunes Pereira recordou que este modelo de organização foi adotado durante a pandemia de covid-19, tanto por entidades públicas como privadas, como forma de concentrar recursos e assegurar uma maior capacidade de resposta perante o aumento da procura.
Na sua opinião, após esse período voltou a verificar-se uma maior influência da política na gestão do sistema, defendendo uma abordagem mais profissionalizada.
Como exemplo da estratégia seguida pelo Grupo Lusíadas Saúde, destacou a reorganização da atividade na área da obstetrícia, com a concentração das maternidades dos hospitais Lusíadas de Lisboa e da Amadora numa única unidade.
Segundo o gestor, esta opção permitiu que o Hospital Lusíadas de Lisboa registasse, em 2025, 4.009 partos, tornando-se a maternidade com maior número de nascimentos do país.
Vasco Antunes Pereira considerou que esta concentração de atividade reforçou a capacidade de resposta da unidade num ano particularmente exigente e elogiou o desempenho dos profissionais envolvidos.
O CEO defendeu ainda que a reorganização da rede de maternidades deve ter em conta a evolução da natalidade em Portugal, salientando que, apesar da estabilidade ou diminuição do número de partos, o número de maternidades aumentou nos últimos anos, tanto no setor público como no privado.
Na sua perspetiva, esta realidade aumenta a necessidade de recursos humanos e contribui para a pressão sobre o sistema de saúde.
O gestor concluiu que é necessário analisar os desafios do SNS de forma global, defendendo que os problemas não se limitam aos casos que ganham maior visibilidade mediática, como os recentes partos ocorridos em ambulâncias devido aos constrangimentos nas maternidades.
LUSA/SO
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