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Inteligência artificial e telemedicina as principais tendências para a saúde em 2020

Atualmente, é impossível falarmos de saúde sem automaticamente a associar à mudança tecnológica que está a ocorrer e que é cada vez mais notória neste setor. De facto, a tecnologia permite uma melhor gestão dos cuidados de saúde e torna-se fundamental para assegurar o princípio da equidade, beneficiando todos os cidadãos, sem exceção e sem marginalizar os que se encontram a grandes distâncias dos grandes centros urbanos ou com maiores dificuldades económicas.

Tornou-se assim urgente estar à frente da mudança tecnológica, com recurso a serviços que coloquem o cidadão no centro e no qual a tecnologia é um meio para atingir o fim – o acesso a cuidados de saúde de qualidade para todos, com base em princípios de eficiência e com respeito pela sustentabilidade do sistema. Um exemplo claro é a linha de Saúde24 que, à distância de um contacto telefónico, não só auxilia o cidadão no diagnóstico, como também permite identificar os casos mais graves que devem seguir para as urgências hospitalares, facilitando assim o trabalho dos profissionais de saúde, libertando apressão nos serviços hospitalares tipicamente muito dispendiosos.

Várias são já as tendências tecnológicas que começam a surgir e a intensificar-se, como é o caso da inteligência artificial (IA), que pretende revolucionar a prestação de cuidados de saúde. A premissa de que os dados são a nova healthcare currency tem culminado numa aposta cada vez mais visível em ferramentas de Inteligência Artificial (IA). De acordo com um report do HIMSS de 2019, os prestadores europeus de saúde começam a dar os primeiros passos no que diz respeito à adoção de ferramentas de IA, ambicionando-se um avanço muito significativo nos próximos cinco anos.

A IA permite, de facto, o desenvolvimento de ferramentas inovadoras. Um exemplo disso são as assistentes virtuais de saúde, que podem ser os personal trainers do próprio doente. Podem também prestar informação e até ser uma companhia, no caso de doentes e, simultaneamente, desempenhar um importante papel no apoio a cuidados menos especializados.

Do ponto de vista da gestão hospitalar, a IA pode também auxiliar os gestores na tomada de decisão, através da análise de informação e do cruzamento de dados disponibilizados nos vários sistemas de informação. Poderão também ser desenvolvidas ferramentas baseadas em IA focadas na entrega de informação aos gestores hospitalares relativamente à implementação das estratégias mais eficazes, com base na análise dos episódios de urgência, conjugando com relatórios da atividade gripal dos anos homólogos, por exemplo. Tendo este conhecimento prévio, as respostas às situações de gripe poderão ser previamente planeadas de forma eficiente e mais eficaz, permitindo antecipar a necessidade de alocação de determinado número de profissionais de saúde e camas,bem como, prever o consumo de medicamentos.

A telemedicina é outra grande tendência, a qual pode, de facto, melhorar o acesso a cuidados de saúde por parte dos cidadãos, localizados em geografias mais remotas e com menores condições de acessibilidade e de mobilidade. Este conceito tem vindo a traduzir-se na realização de consultas à distância (teleconsulta) e na monitorização remota de doentes em situações mais frágeis (telemonitorização).

Uma das aplicações mais interessantes da telemedicina nos centros de saúde pode passar pela realização de consultas de especialidade, nomeadamente em situações de pré-operatório em que o follow-up do médico pode ser efetuado de forma remota. Desta forma, o doente poupa deslocações ao hospital que causam desconforto e contribuem para custos desnecessários.

Por outro lado, a existência de apps que podem ser descarregadas à distância de um clique representam, igualmente, um forte contributo para a melhoria do acesso a cuidados das populações localizadas em zonas mais remotas. Uma app, que disponibilize exercícios de fisioterapia, contribuindo para uma recuperação motora mais célere, é um excelente exemplo uma vez que evita deslocações a um centro urbano, bem como contribui para a poupança de custos tanto na perspetiva do doente como do Serviço Nacional de Saúde.

Perante esta nova realidade, a adoção de apps para promoção da saúde e bem-estar será cada vez maior e prova disso é a iniciativa que o governo alemão está prestes a lançar para todos os cidadãos alemães, que passa pela prescrição de apps. Esta medida prevê promover a adopção a apps através da prestação de serviços digitais de saúde nos dispositivos pessoais dos utentes, por parte das seguradoras de saúde.

Caminhamos, atualmente, para uma visão centrada nas pessoas, onde a tecnologia é a base. O consumidor de cuidados de saúde tem vindo a tornar-se cada vez mais exigente e, como tal, procura mais tecnologia que possa contribuir para o seu bem-estar. Adicionalmente, o consumidor atual de cuidados de saúde procura mais conveniência e é a favor de uma relação de proximidade e confiança com o seu médico ou enfermeiro e, para isso, apoia-se nos meios tecnológicos de que dispõe.

Efetivamente, os profissionais de saúde mais digitais, os utilizadores e os fornecedores de sistemas de informação reconhecem a existência de um mundo de oportunidades no que à utilização da IA e da Telemedicina no setor da saúde dizem respeito. No entanto, torna-se urgente que estas ferramentas ganhem maturidade, assim como se deve apostar na credibilidade deste tipo de soluções, para que cada vez mais os profissionais de saúde e os administradores hospitalares possam introduzi-las no seu dia-a-dia.

 

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