IntegraCare+. ULS Arrábida otimiza percurso do utente com doença infeciosa e comportamentos aditivos
O IntegraCare+, desenvolvido pela ULS Arrábida, nasceu da necessidade de criar um percurso integrado de cuidados para pessoas com doença infeciosa e comportamentos aditivos. O projeto foi um dos vencedores da Bolsa Capital Humano em Saúde, promovida pela Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH).

Para a ULS, o objetivo do IntegraCare+ foi promover “uma resposta mais coordenada, humana e centrada no utente”. O projeto envolve o Pólo Arrábida do CRI da Península de Setúbal e o Serviço de Infeciologia, no intuito de se aumentar a adesão ao tratamento e de se garantir que os diferentes serviços de saúde atuam de forma articulada.
Durante o bootcamp da bolsa — um workshop dinamizado pela Nobox, que em apenas um dia desafia as equipas através de exercícios de design thinking a refletirem sobre o problema que pretendem resolver —, a equipa da ULS Arrábida percebeu a importância de cruzar percursos e integrar planos terapêuticos, adotando um modelo de integração funcional.
“Os vencedores da bolsa beneficiam de um conjunto de horas de apoio em consultoria especializada da Nobox, que, no caso do IntegraCare+, foi essencial para estruturar o projeto, definir objetivos claros e estabelecer indicadores de sucesso para os meses seguintes”, lê-se em comunicado.
Com este acompanhamento, foram implementadas reuniões mensais multidisciplinares, onde os casos são discutidos de forma partilhada e sistemática, centrando o debate na pessoa e não apenas na patologia. “Hoje, cada utente é visto na sua totalidade clínica, social e emocional, e as equipas trabalham de forma coordenada para simplificar o acesso e melhorar a experiência de cuidados.”
Uma das iniciativas do projeto foi a articulação entre a terapêutica antirretroviral e o tratamento com metadona, permitindo que os utentes possam realizar ambos num único local e momento. “Esta integração simples, mas profundamente transformadora, tem contribuído para melhorar a adesão terapêutica, reduzir o risco de falhas no tratamento, reforçar o vínculo com as equipas e, sobretudo, promover o respeito e a dignidade de quem enfrenta múltiplos desafios de saúde.”
Embora ainda em fase de implementação, o IntegraCare+ já apresenta resultados muito positivos. Já se realizaram dez reuniões multidisciplinares mensais, com decisões clínicas mais informadas e integradas; 70 utentes com situações clínicas complexas acompanhados em conjunto; 57 planos de cuidados personalizados, abrangendo dimensões clínicas, sociais, emocionais e relacionais; e iniciaram-se as consultas descentralizadas no CRI/Pólo Arrábida, desde setembro.
Com esta mudança, verifica-se maior adesão às consultas e terapias, regularidade acrescida na toma da terapêutica antirretroviral, redução de abandonos de tratamento e melhoria da qualidade de vida autopercecionada pelos utentes.
“Mais do que um projeto clínico, o IntegraCare+ representa uma nova cultura de trabalho — mais colaborativa, integrada e centrada na pessoa. É uma prática que quebra silos, aproxima profissionais e transforma a forma como o cuidado é pensado e prestado, devolvendo esperança e dignidade a quem vive diariamente entre o desafio e a superação.”
SO
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