23 Fev, 2021

INSA divulga estudo sobre a redução de sal no pão

O INSA divulgou os resultados de um estudo sobre a redução de sal no pão e, o impacto benéfico na saúde dos portugueses.

O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), através do seu Departamento de Promoção da Saúde e Prevenção de Doenças Não Transmissíveis, divulgou o relatório do estudo-piloto sobre o sal, do Health Impact Assessment (HIA) ‘Reduction of salt (sodium) in bread and its contribution to the decrease of blood pressure in Portugal’.

Trata-se de uma avaliação de impacto na saúde rápida, prospetiva e focada na equidade sobre o tópico ‘Redução gradual da quantidade de sal (sódio) no pão’, enquadrada no Programa de Treino de Competências em HIA coordenado pelo INSA (biénio 2017-2019).

Considerando ser as doenças cardiovasculares (DCV) uma das principais causas de morte em Portugal, a redução do consumo de sal é uma das melhores abordagens (best buys) para a prevenção destas doenças e, o pão um dos alimentos que mais contribuem para a ingestão de sal pela população portuguesa. Em outubro de 2017 foi assinado um protocolo entre a Direção-Geral de Saúde, o INSA e algumas associações de industriais de panificação, pastelarias e similares para a redução gradual de sal no pão até 2021.

O objetivo principal deste estudo é aferir os potenciais impactos na saúde da população portuguesa resultantes da implementação deste Protocolo, de acordo com as metas estabelecidas no documento.

Dos principais resultados e conclusões apresentados, destaca-se a meta máxima preconizada pelo Protocolo de 1g de sal por cada 100g de pão em 2021, corresponde a uma redução de 29% face ao cenário atual, o que levará a uma redução esperada de 0,51g e 0,32g na ingestão diária total de sal para homens e mulheres, respetivamente.

Neste cenário espera-se uma maior redução na ingestão de sal entre indivíduos com maior consumo de pão, ou seja, homens, indivíduos da região do Alentejo, indivíduos com idades compreendidas entre os 55 e 74 anos e naqueles que têm menor nível de educação.

Em linha, os grupos acima descritos são os que apresentam uma maior diminuição nos valores de pressão sistólica (PS), com a implementação integral do Protocolo.

A magnitude do efeito estimado na pressão arterial (PA) parece ser baixa para ter um impacto importante na diminuição do risco de doenças cardiovasculares (DCV), de acordo com a literatura. Não existindo limiares bem definidos devido ao envolvimento de outros fatores de risco, alguns estudos apontam que quaisquer reduções na PA se traduzem em benefícios.

Do ponto de vista económico, o cenário de redução de ingestão total de sal diário considerado, embora mais baixo quando comparado com cenários testados por outros estudos, aproxima-se dos valores considerados como custo-efetivos de acordo com os limiares de referência (reduções acima de 0,5g sal/ dia) da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Os dados recolhidos através de questionário revelam que a maioria dos respondentes referem ter conhecimento da assinatura do Protocolo, não sentiram alterações (sabor, textura, durabilidade) no pão que consomem habitualmente e que não alteraram o seu padrão de consumo, nos últimos 12 meses.

Este estudo foi desenvolvido por um grupo de trabalho composto por elementos do INSA, da Administração Regional de Saúde do Algarve, da Direção-Geral da Educação e da Escola Nacional de Saúde Pública, com a supervisão técnica da OMS. Seguiu o modelo clássico de HIA, que combina procedimentos e métodos que permitem analisar os potenciais impactos de projetos, programas ou políticas, na saúde da população e sua distribuição, apoiando a tomada de decisões baseada na melhor evidência.

 

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