9 Jul, 2024

Idosos em Portugal menos deprimidos que gerações mais novas

A maioria das pessoas idosas, em Portugal, não sofre de depressão e a prevalência de perturbações de humor e da ansiedade são geralmente mais baixas nos grupos etários mais velhos, segundo um relatório do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.

“Apesar de o envelhecimento ser muitas vezes associado à tristeza, solidão, insatisfação e a sintomas depressivos, também pelas perdas e acontecimentos que ocorrem de forma mais frequente nesta fase da vida, a maioria dos idosos não está deprimida”, de acordo com o relatório “Envelhecimento em Saúde: Caracterização da saúde da população idosa em Portugal”.

O documento refere que, apesar da prevalência da depressão ser mais baixa nos idosos comparativamente aos grupos etários mais novos,  é “a desordem psiquiátrica mais comum na população idosa com documentado impacto ao nível da qualidade de vida, constituindo um importante preditor da mortalidade”. “Pelo impacto na qualidade de vida e pelo facto de a apresentação dos sintomas que caracterizam estas perturbações poderem surgir de forma diferencial neste subgrupo populacional, a ansiedade e a depressão permanecem um aspeto relevante em saúde pública”, salienta o relatório, que apresenta informação de variadas fontes nacionais e europeias, de inquéritos de saúde e de estudos nacionais até dezembro de 2021.

Os últimos dados disponíveis, de 2019, indicavam maior frequência da presença de sintomas depressivos indicativos de depressão major na população portuguesa com 65 e mais anos, em comparação com a média da União Europeia. Relativamente à demência, o estudo refere que “apresenta uma taxa de mortalidade bastante baixa na população entre os 65 e os 74 anos”, mas torna-se a sexta causa de morte no grupo dos 85 e mais anos.

Ressalva, contudo, que em Portugal, não existe um estudo epidemiológico que retrate a situação deste problema. Um estudo de revisão que focou países membros da UE, onde tinham decorrido estudos de prevalência, que não incluíram Portugal, apresentava uma estimativa para a população de 65 e mais anos entre os 5,9% e os 9,4%.

O relatório refere que, de uma forma geral, alguns aspetos associados ao envelhecimento em Portugal apresentavam-se de forma similar à média europeia, ainda que a população idosa portuguesa apresentasse, em 2019, níveis mais elevados de dificuldades na realização das atividades de vida diária, o que tem “um impacto importante na participação e inclusão desta população”. “As diferenças entre Portugal e a União Europeia traduzem, provavelmente, diferenças ao nível de condições de vida material, práticas em saúde e acesso a cuidados de saúde, entre outros”, afirmam os autores do trabalho.

Segundo dados preliminares do Instituto Nacional de Estatística, os idosos representavam, em 2021, cerca de 23,4% da população residente. Desde 2000 que o número de idosos é superior ao de jovens (0-14 anos). Em 2011, por cada 100 jovens residentes em Portugal, existiam 127 pessoas idosas, valor que aumentou para 167 em 2020. Mas o envelhecimento não é igual por todo o país, refere o relatório, indicando que, em 2020, as regiões do Alentejo e do Centro eram as mais envelhecidas, enquanto Lisboa e Vale do Tejo, os Açores e a Madeira eram as que apresentavam o índice de envelhecimento mais baixo.

O envelhecimento da população contribuiu também para a transformação da estrutura do mercado de trabalho, tendo-se verificado, entre 2010 e 2020, um aumento da população empregada. “O aumento da esperança média de vida, a desertificação e a transformação do papel da família nas sociedades modernas terão, certamente, contribuído para explicar as mudanças observadas e as diferenças que se verificam entre as regiões do país”, salienta. Foi nas regiões de Lisboa (22%), Alentejo (22%) e Algarve (21%) que se verificaram as mais elevadas percentagens de pessoas idosas vivendo sós, ao contrário da região Norte e nos Açores, com 17% cada.

LUSA

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