4 Abr, 2022

Hospitais de Lisboa triplicaram em março número de crianças atendidas nas urgências

"Não havendo falta de ar ou vómitos persistentes, a gripe trata-se em casa", realça a responsável pela urgência do Hospital Dona Estefânia.

As urgências dos hospitais da região de Lisboa registaram uma forte procura em março, com alguns a atingirem 900 casos diários e outros a triplicarem o número de crianças e jovens atendidos, comparando com o mesmo mês de 2021.

No Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (HFF), também conhecido por Amadora-Sintra, a procura dos serviços de urgência aumentou 65% em março relativamente ao mês homólogo do ano passado, segundo dados avançados hoje à agência Lusa. “Nas últimas duas semanas temos registado um aumento de 14% nos episódios de urgência, em relação ao mês de fevereiro”, referiu à Lusa, precisando que só na última semana registou 5.343 casos.

No dia 21 de março, foi atingido o número mais elevado desde o início do ano (975), precisou o hospital, adiantando que cerca de 60% dos doentes são casos não urgentes que deveriam recorrer aos cuidados de saúde primários.

Já o número de episódios de urgência pediátrica aumentou 385%, com uma média diária de 230 casos.

O Centro Hospitalar Lisboa Ocidental (CHLO), que integra os hospitais São Francisco Xavier, Egas Moniz e Santa Cruz, também observou uma grande procura do Serviço de Urgência Geral, com 8.827 casos, mais 3.367 face ao período homólogo de 2021, uma média de 285 por dia contra 176 em 2021.

Na urgência pediátrica a situação ainda foi mais acentuada, com 4.266 casos, mais 3.294 comparativamente ao mês homólogo de 2021 (972), numa média de 176 situações por dia quando em 2021 eram 31.

Uma fonte do CHLO adiantou à Lusa que, dos doentes que recorreram à urgência geral, 8,5% ficaram internados, número que desce para 1,8% no caso da pediatria.

O Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN), que integra os hospitais Santa Maria e Pulido Valente, registou uma média de 650 episódios diários no conjunto das urgências no Hospital Santa Maria, segundo dados avançados hoje à agência Lusa.

Nos dias 21 e 22 de março, registou-se “um pico de atividade” nas urgências do centro hospitalar (pediatria, urgências não covid e covid de adultos, ginecologia e obstetrícia), em que se aproximou dos 800 episódios de urgências diários, valor máximo no último Outono/Inverno.

  O perfil dos doentes a chegar à urgência central do Hospital de Santa Maria é o que se tem verificado no último inverno: “Mais doentes complexos (amarelos e laranjas), que chegam a representar dois terços do total de doentes na urgência do CHULN, uma inversão em relação ao que acontecia no pré-pandemia, em que 40 a 50% dos casos eram azuis ou verdes”.

Muitos doentes chegam de outras áreas da região de Lisboa: “são doentes que, “pela sua complexidade implicam diagnósticos mais diferenciados, múltiplos exames, muitas vezes com necessidade de procurar informações clínicas (por serem de outras áreas de influência), e, em caso de necessidade de internamento, realização de PCR”, refere o CHULC.

No Hospital Beatriz Ângelo (HBA), em Loures, a situação é idêntica, com mais de 300 atendimentos por dia nas urgências, em particular de doentes graves e muito graves, uma situação que, segundo o hospital, “tem um natural impacto no internamento, porque são doentes que não se conseguem estabilizar, para alta, na urgência e vão precisar de mais tempo e cuidados no hospital”.

Assim, realça, “o internamento tem estado permanentemente com uma taxa de ocupação muito próxima dos 100%”.

No caso da Urgência Pediátrica, a afluência também “é muito grande”, com uma média de 200 situações por dia, por causas como constipações e gripes.

O Hospital Beatriz Ângelo explica que as escalas “são ajustadas ao número de admissões médias esperado” e em períodos de maior procura tentam fazer, sempre que possível, esse reforço.

Nas urgências do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central (CHULC), nomeadamente dos hospitais São José, D. Estefânia e Maternidade Alfredo da Costa, foram atendidos uma média de 740 doentes por dia, totalizando 22.929.

De acordo com os dados divulgados à Lusa, o dia 28 de março foi o que registou a maior procura, com 912 episódios de urgência, dos quais 383 eram crianças e jovens.

Analisando só as urgências pediátricas do Hospital D. Estefânia, o dia 21 de março foi o que atingiu a afluência mais elevada, com 400 casos.

Não havendo falta de ar ou vómitos persistentes, a gripe trata-se em casa. Mas as pessoas ficam aflitas e muitas não têm outros recursos”, diz a responsável pela urgência do Dona Estefânia, Rita Machado, em declarações ao Público.

Os especialistas falam da pressão do vírus Influenza que causa infeções respiratórias virais e sintomas de febre, coriza (corrimento nasal), tosse, cefaleia e mal-estar e que, entre outras doenças, está associada à gripe A, e ambos aproveitam para deixar alertas e pedidos aos pais.

“É normal que tenhamos aumento nesta época do ano que é quando as medidas [de restrição associadas à pandemia da covid-19] se abriram e o contacto social também. É importante que se não se abandone de imediato as medidas de proteção e que se aproveite o que de bom a pandemia ensinou”, referiu Caldas Afonso, o diretor do Centro Materno Infantil do Norte.

LUSA

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