Portugal comprometeu-se a atingir o objetivo de eliminação da hepatite C até 2030, conforme determinado pela OMS. Qual tem sido o papel da MGF neste contexto?

Os doentes com hapatite C continuam a ser um problema tendo em conta as complicações possíveis e previsíveis da doença e o atraso no diagnostico. Os médicos de família continuam atentos a esta circunstância, mas temos a noção que ainda não foi feito tudo o que poderá ser possível e admissível fazer para resolvermos o problema. Muito tem sido feito de facto para minimizarmos o problema e tendo em conta o sucesso do tratamento possível. Ainda temos um longo caminho a percorrer.

A maior parte dos doentes não está diagnosticado e não sabe que está infetado. Em que medida seria importante efetuar um rastreio mais alargado à população geral com base em fatores de risco (idade, elevação de enzimas hepáticas, etc.)?

Sim os casos assintomáticos são um problema uma vez que não será possível fazer tratamento se não fizermos o diagnóstico. O rastreio oportunístico tem sido possível, mas creio que haverá necessidade de outras medidas para conseguirmos orientar melhor o problema e nomeadamente aumentarmos o número de pessoas diagnosticadas e orientadas para tratamento.

Na sua opinião, o que falta fazer para implementar esta ou outras medidas?

Provavelmente faltará sentar à mesma mesa o conjunto de peritos que reúnem competências nesta matéria. Será necessário consensualizar um conjunto de medidas de saúde publica de modo a evoluirmos de forma sustentada. Por vezes parece estranho que ainda não se tenha tentado evoluir com a definição de uma estratégia de saúde, que seja sustentável, tendo em conta o sucesso do tratamento de uma doença vírica conhecida.

Que mensagem pretende deixar aos seus colegas de MGF e aos utentes no âmbito do Dia Mundial das Hepatites?

Temos que aumentar o diagnóstico de casos assintomáticos para conseguirmos fazer o tratamento de uma doença que sabemos que evolui mal e tem complicações severas. Todas as oportunidades são elegíveis para o diagnóstico oportuno. As pessoas têm que saber que esta doença é silenciosa, tem complicações severas, mas o tratamento está disponível e tem sucesso.

TC/SO

 

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