Gripenet retoma e volta a envolver população na vigilância de infeções respiratórias
O sistema de vigilância participativa Gripenet voltou a entrar em funcionamento, permitindo que cidadãos em Portugal colaborem na monitorização de infeções respiratórias, como gripe e covid-19, e fornecendo dados essenciais sobre a circulação de vírus na comunidade.

O Gripenet, plataforma eletrónica de vigilância participativa de infeções respiratórias, voltou a funcionar esta quinta-feira, permitindo à população colaborar na monitorização e investigação destas doenças, anunciou Verónica Gomez, investigadora do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA).
O sistema, acessível em https://gripenet.pt/home, recolhe informação autorelatada pelos cidadãos sobre sintomas respiratórios agudos, complementando a vigilância tradicional ao incluir casos ligeiros de gripe, covid-19 e outras infeções respiratórias que normalmente não chegam às estatísticas oficiais.
“O Gripenet permite captar uma grande fatia de pessoas que não recorre aos cuidados de saúde e fornece dados essenciais para perceber como as infeções circulam na comunidade”, explicou Verónica Gomez. Estudos anteriores indicam que cerca de 70% dos cidadãos com sintomas gripais não procuram assistência médica.
A plataforma esteve inativa desde 2020 devido à pandemia de covid-19, altura em que os recursos do INSA foram totalmente mobilizados para o combate à doença. Este período de pausa permitiu reformular o sistema, integrando outras infeções respiratórias e harmonizando a metodologia com o consórcio europeu Influenza Net, de forma a ter uma visão europeia mais completa da circulação de vírus respiratórios.
Cada participante recebe um código de identificação anónimo e preenche semanalmente um breve questionário sobre sintomas respiratórios. Os pais ou tutores podem preencher os questionários em nome dos filhos menores. O processo demora apenas alguns segundos na ausência de sintomas e cerca de três minutos caso surjam sintomas.
Os dados recolhidos são apresentados semanalmente na plataforma, permitindo complementar a informação proveniente dos sistemas clássicos de vigilância da gripe e outros vírus respiratórios.
O Gripenet foi criado em 2004 pelo Instituto Gulbenkian de Ciência, inspirado num modelo holandês, e em 2015 passou a ser coordenado pelo INSA, responsável pela vigilância da gripe e outras infeções respiratórias em Portugal.
LUSA/SO
Notícia relacionada
Portugal entra em fase epidémica de gripe com aumento de casos e internamentos







